“Espaços encerrados a espectáculos por causa da Covid são usados para actividades de campanha” – reclama músico

Cidade da Praia, 17 Out (Inforpress) – O músico e compositor Zé Rui de Pina manifestou hoje em declarações à Inforpress, a insatisfação da classe que, segundo disse, foi impedida de trabalhar devido à prevenção contra Covid-19, e agora assistem à utilização dos mesmos espaços para actividades de campanha.

“Exigimos mais respeito para com os artistas. Disseram que não podemos trabalhar, mas os mesmos salões onde nós trabalhávamos estão a ser usados para fazer campanha”, afirmou Zé Rui de Pina, pedindo mais atenção aos músicos que, realçou, se encontram numa “situação difícil”.

Para este homem da música, isto não é exigir muito num país que é conhecido por causa da música.

“A malta está toda normal nestas campanhas autárquicas, com festas e tudo mais, mas os músicos não podem tocar num simples bar ou outro espaço”, acrescentou, questionando o porquê da não retoma de suas actividades, quando já há outros sectores na reabertura pós-covid-19.

Conforme constatou a Inforpress, a voz de Zé Rui de Pina é mais uma de entre vários outros músicos profissionais das Artes e Espectáculos cabo-verdianos que têm agendado a realização de uma “manifestação silenciosa e distanciada” no Dia Nacional da Cultura, 18 de Outubro (este domingo) em várias ilhas, com o propósito de sensibilizar as autoridades competentes para a situação “difícil e insustentável” vivida pela classe, ao fim de cerca de oito meses no desemprego.

Durante a marcha de domingo, em silêncio, “devidamente distanciados, usando máscaras faciais”, os artistas vão empunhar os seus instrumentos musicais.

Num comunicado a que a Inforpress teve acesso, os artistas dizem que estão a viver uma “situação atípica”, causada pela pandemia, que obrigou ao encerramento das casas de cultura e de todos os espaços públicos, arrastando para o desemprego centenas de chefes de família, em todas as ilhas, que “vivem e sobrevivem” deste sector.

“Apesar de se assistir a retoma de diversos postos de trabalho em todo o País, mantêm-se as proibições para muitas casas de música e de cultura, ainda que respeitando as normas sanitárias e reduzindo para um terço a sua lotação”, lê-se no mesmo documento.

Estes apelam às autoridades para a reabertura dos espaços culturais, para que a força de trabalho no sector artístico possa reaver a sua dignidade. Isto, claro, defendem, havendo o respeito pelas normas sanitárias impostas, e à semelhança de outros espaços públicos que já se encontram em funcionamento.

No Dia Nacional da Cultura, domingo, pelas 17 horas, em várias ilhas, nomeadamente Sal, Santiago, Santo Antão, São Vicente e Boa Vista, os artistas vão marchar em silêncio, “devidamente distanciados, usando máscaras faciais” e empunhando os seus instrumentos de trabalho.

GSF/FP

Inforpress/Fim

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