Escritor exilado diz que CPLP perpectua opressão na Guiné-Equatorial

Madrid, 30 Jul (Inforpress) – O escritor equato-guineense Donato Ndongo-Bidyogo considerou hoje que a adesão da Guiné Equatorial à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) perpectua a opressão de Teodoro Obiang e seus familiares sobre o povo.

“Entraram na comunidade lusófona para se perpetuarem no poder e para perpectuar a nossa opressão”, disse o escritor e antigo jornalista à Lusa, em Madrid, Espanha, onde vive exilado há décadas.

Para o escritor, “aquilo que a comunidade internacional está a conseguir é encrespar a população guineense” e quando mudar o regime na Guiné Equatorial, “se algum dia mudar, para melhor, apaguem essas coisas todas que fizeram” porque “não serviram para nada a não ser para perpetuar a opressão”.

Donato Ndongo, que esta semana foi homenageado pelo Instituto Cervantes (de promoção da língua espanhola), disse não haver exceções na comunidade internacional e que no passado Obiang também já tinha colocado o país na comunidade francófona “para se perpetuar no poder” e a opressão do povo.

O escritor questionou “até quando” Portugal e os outros países da CPLP, a que a Guiné Equatorial aderiu em 2014, “vão continuar a ouvir mentiras” de Obiang “sem reagir”.

“A comunidade de países lusófonos ofereceu a Obiang a possibilidade de integração e Obiang prometeu que vai abolir a pena de morte e já passaram quantos anos? Não fez absolutamente nada nem vai fazer”, acrescentou Donato Ndongo.

Para o escritor, não têm qualquer fundamento as reiteradas promessas e garantias do Presidente da Guiné Equatorial de que o processo para acabar com a pena de morte está a avançar.

Entre as condições definidas no roteiro de adesão da Guiné Equatorial à CPLP estão a maior abertura democrática do país, a abolição da pena de morte e a introdução do português como língua oficial.

Em 29 de junho, o Presidente da República português, após receber Obiang em Lisboa, disse ter ouvido a “notícia boa” do seu homólogo equato-guineense de que a abolição da pena de morte no país africano já foi aprovada pelo parlamento e que a promulgação será “muito rápida”.

“Só falta agora a ratificação”, que Obiang “disse que seria muito rápida”, afirmou o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

A concretizar-se a abolição da pena de morte, “pode normalizar-se o relacionamento bilateral em termos de visitas de Estado entre os dois países”, disse ainda o Presidente português.

Já Teodoro Obiang, em declarações aos jornalistas após o encontro com Marcelo Rebelo de Sousa, escusou-se mais uma vez a adiantar uma data para a abolição da pena de morte no país, admitindo que o processo é “lento, lento”.

Inforpress/Lusa

Fim

 

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos