ENTREVISTA/Saúde: Doenças crónicas e neoplásicas entre as que mais afectam a população dos Picos – responsável (c/áudio)

Achada Igreja, 28 Nov (Inforpress) – As doenças crónicas (diabetes e hipertensão arterial) e as neoplásicas (cancros) têm aumentado consideravelmente e são as patologias que mais afectam a população de São Salvador do Mundo (Picos), no interior da ilha de Santiago.

Em entrevista exclusiva à Inforpress, a propósito da situação epidemiológica e os desafios a nível da Saúde em São Salvador do Mundo (Picos), o responsável do Centro de Saúde local, o médico e delegado de Saúde, Luciano Veiga, assinalou que a diabetes e hipertensão arterial e cancros têm afectado mais a população adulta.

No entanto, revelou que, o que tem provocado mais óbitos e registando um aumento significativo nos Picos são as complicações dessas doenças crónicas, isto é, o acidente vascular cerebral (AVC) e algumas mortes por cancros, mormente as de próstata, de estômago e da mama.

Conforme lembrou o médico, o Centro de Saúde tem acompanhado os doentes com estas patologias, e tem realizado palestras e campanhas de sensibilização quer no Centro de Saúde e na comunidade com vista a mudar o modo de vida, particularmente o hábito alimentar e a prática de exercícios físicos, contando com apoio de nutricionistas.

Relativamente às doenças que afectam as crianças, o clínico avançou que, de momento, têm registado casos de infecções respiratórias agudas, disenteria e diarreia, mas esclareceu que “são doenças comuns da própria época, ou seja, pós-chuvas.

Ainda a nível da população infantil, fez saber que notaram a existência de problemas da pele, sobretudo escabiose.

A esse propósito, informou ainda que aquela estrutura de Saúde tem realizado várias acções em parceria com diversos parceiros, com destaque para as localidades onde notaram que há muitas crianças com lesões da pele, espinhas no couro cabeludo e corporais.

Entretanto, o clínico comprometeu-se em levar tais acções a outras comunidades.

Por outro lado, congratulou-se com o facto de o município não ter registado casos de morte de crianças ao longo de 2018 e nem durante 2019, tendo realçado que a taxa de mortalidade infantil é “zero”.

Todavia, lamentou o facto de terem notado casos de má-nutrição em crianças com menos de 5 anos, pelo que tiveram de colocar o concelho na “lista vermelha” em relação aos demais municípios da ilha de Santiago.

Conforme referiu ainda, tendo em conta Picos é um município onde se faz a prática da agricultura e criação de gado, está apreensivo, pois, isso demonstra que algo está a falhar nessas crianças, tendo nestas circunstâncias responsabilizado as mães.

É que segundo este responsável, mesmo com a distribuição do complemento alimentar “vita-ferro” que têm feito e insistindo para que o mesmo seja dado pelo menos às crianças entre seis meses a 4 anos, regista-se casos de “má-nutrição”.

Durante a entrevista exclusiva à Inforpress, o médico destacou, no entanto, a existência de uma “excelente” cobertura vacinal, consulta pré-natal às grávidas e a diminuição da lista de espera nas consultas.

Conforme explicou, a diminuição da lista de espera se deve ao plano que traçaram e que passa pela deslocação às comunidades.

No entanto, para que possam alcançar tal desiderato, explicou que vão precisar de mais três enfermeiros, mais 1 médico e uma ambulância, permitindo-lhes uma cobertura cabal ao território de 32 quilómetros quadrados e com cerca de 8.600 habitantes.

Tendo em conta que à semelhança de demais municípios do interior de Santiago, nos Picos as pessoas ainda vivem de reservas de água, uma prática que, conforme um estudo realizado recentemente, revelou-se o aumento de mosquitos em relacção ao ano anterior.

Daí que, segundo o médico, a luta anti-vectorial é um dos desafios a serem vencidos nos próximos tempos. Explicou, a esse propósito, que têm vindo a passar informações a esse respeito, mas infelizmente muitas pessoas não têm ainda a noção de como as suas acções podem contribuir para o aumento dos mosquitos.

Aquisição de uma ambulância, reactivação de mais Unidade Sanitária de Base (USB), construção de uma sala de espera condigna no referido Centro/Delegacia de Saúde, constituem o rol de desafios a alcançar assim como uma cobertura universal dos 32 quilómetros quadrados do município com cerca de 8.600 habitantes.

“Tudo o que estamos a fazer vai ao encontro dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), e acreditamos estar num bom caminho”, declarou o delegado de Saúde dos Picos que, conforme explicou, está na função a menos de quatro meses.

A título de exemplo, Luciano Veiga avançou que Cabo Verde já atingiu os 13% na taxa de mortalidade infantil, uma meta que, segundo ele, era para ser atingida em 2021.

“Estamos a trabalhar para que este número diminua ainda mais”, enfatizou, realçando que, quer o Centro de Saúde dos Picos, quer a Delegacia de Saúde de Santa Catarina têm estado a trabalhar de mãos dadas para que a situação melhore um pouco mais.

Por tudo isso, disse acreditar que trabalhando com a população procurando saber das suas responsabilidades e com o empenhamento já demostrado por todo pessoal, vão conseguir elevar o nível da qualidade de saúde prestada nesse estabelecimento, visando abranger toda a população, na perspectiva de se atingir os objetivos traçados a nível municipal e nacional.

O Centro de Saúde dos Picos que está sob a tutela da Delegacia de Saúde de Santa Catarina, conta com apenas uma USB em Picos Acima e que dá cobertura a cerca de 8.600 habitantes. Conta com 23 funcionários, incluindo 1 médico e cinco enfermeiros, que além de estarem no centro realizam saídas periódicas e mensais às localidades, incluindo as escolas.

A estrutura de saúde funciona das 08:00 às 15:00, mas tem 1 médico e enfermeiros em regime de chamada 24/24 horas.

A mesma engloba uma sala de observação, uma sala de pequenas cirurgias, uma farmácia, serviços de curativos e injecções, e ainda consultas nas especialidades da área de psicologia, optometria e nutrição, sendo que os demais casos são enviados para o Hospital Regional Santa Rita Vieira, em Achada Falcão, Santa Catarina.

FM/FP

Inforpress/Fim

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