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ENTREVISTA: “Nesses 49 anos Santa Cruz teve ganhos em todos os sectores mas podia estar melhor” – Carlos Silva (c/áudio)

*** Por Wilson Moreira, da Agência Inforpress ***

Pedra Badejo, 29 Mar (Inforpress) –  O presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz considera que em 49 anos o seu concelho teve “ganhos em todos os sectores”, desde agricultura, infra-estruturação da cidade e a nível social, mas reconheceu que podia estar melhor.

Carlos Silva, em entrevista à Inforpress, em Pedra Badejo, a propósito da comemoração dos 49 anos do município, que se celebra hoje, 29, considerou que, apesar dos ganhos, os desafios do desenvolvimento de Santa Cruz ainda continuam “grande”.

“Registamos ganhos em todos os domínios, desde saúde, educação, água, electricidade, saneamento, ambiente, desporto, cultura, entre outros”, declarou, acrescentando que o município, que tem por volta de 26 mil habitantes, com uma população jovem, continua a crescer.

Aliás, Carlos Silva defende que o município tem espaços para crescer e receber “grandes investimentos”.

O executivo camarário admitiu ganhos do ponto de vista social e retrocesso do ponto de vista económico, uma vez que o município foi criado justamente por causa da sua vocação agrícola.

Pois, o mesmo recordou que no período colonial um português criou uma sociedade agrícola e comercial em Santa Cruz denominada Santa Filomena, tendo começado a fazer exportação de toneladas de produto para fora do país, o que o fez reivindicar um porto comercial em Santa Cruz para escoamento dos seus produtos.

No período após a independência a referida sociedade comercial tornou-se numa empresa pública denominada Justino Lopes, configurando-se em maior complexo agro-alimentar do país, empregando mais de 500 pessoas até a década de 90, quando entrou em decadência.

“Já foi maior exportador e maior produtor”, demonstrou, justificando que é neste sentido que considera que houve retrocesso no sector da economia.

Entretanto, asseverou que a câmara está a apostar “fortemente” na reactivação da empresa Justino Lopes e construção de estradas de penetração para o desencravamento das ribeiras com potencial agrícola, começando pela Ribeira dos Picos, que já está em obras.

Entre outros investimentos, prevê-se a construção de uma central de compras para escoamento e comercialização dos produtos.

Carlos Silva quer atrair “grandes investimentos” em vários sectores para dinamizar o emprego no seu município.

Elencou ainda várias potencialidades no domínio do turismo e da cultura.

“No centro urbano a nossa ambição é fazer de Pedra Badejo uma das cidades mais bonitas, mais limpa, mais segura, tranquila e acolhedora”, mostrou, avançado que a primeira fase já está bastante avançada e a ideia era fazer a inauguração hoje, 29, mas devido à problemática do novo coronavírus não foi possível.

O edil garantiu que obras estão em curso em todos os domínios, indicando que só no desporto o investimento é acima dos 100 mil contos.

No sector da pesca, garantiu um “grande investimento” na fábrica de gelo, o que, ao seu ver, vai trazer novas dinâmicas.

O município está de olhos postos numa escola de mar, de forma a capacitar os jovens nesse domínio.

“De um modo geral, nesses 49 anos houve muitos ganhos, principalmente a nível social. Estou a falar da água electricidade, educação, acessibilidade, mas precisamos dinamizar o nosso potencial económico que é a agro-pecuária”, reconheceu.

No seu entender, estes três anos de seca trouxeram consequências negativas, principalmente para o seu município, que vive essencialmente da agricultura, daí a necessidade de se apostar em outras formas de mobilização de água, além da construção das barragens, para que se possa garantir uma boa produção agrícola mesmo quando não chover.

“Para garantir o desenvolvimento de um município como Santa Cruz é necessário mobilizar a água. Isso é fundamental”, enfatizou, acrescentando que não se pode esperar para quando chover. É neste sentido que propôs  a dessalinização de água.

O entrevistado da Inforpress afirmou que nos últimos tempos a sua liderança tem estado a apostar fortemente na mudança da auto-estima e atitudes dos munícipes.

“Acreditamos que as pessoas já estão a confiar num futuro melhor”, reforçou, acrescentando que é necessário mobilizar os cidadãos porque o desenvolvimento local é um processo participativo.

De um modo geral, o executivo camarário santa-cruzense é da opinião de que nos últimos três anos tem havido uma dinâmica diferente e afiançou que se escolheu um “rumo mais seguro, consistente e resiliente”.

Tendo em conta a pandemia da covid-19, Carlos Silva adiantou que neste momento o foco é nas pessoas, mas, não no sentido de tornar as pessoas dependentes por causa desse flagelo.

Considerado maior concelho agrícola da ilha de Santiago, o município de Santa Cruz, que possui 109 quilómetros quadrados, foi criado em 1971, sendo proclamado pelo decreto-lei  nº 108/71, de 22 de Março, pela desanexação de duas freguesias da municipalidade da Praia.

A criação deste município do interior de Santiago, que tem a sede na cidade de Pedra Badejo, teve como objectivo promover o desenvolvimento de actividades que o crescimento populacional se impunha e possibilitar às populações, contactos rápidos com as sedes quer do concelho quer das freguesias, onde os seus problemas deviam ser resolvidos.

Com a prática da agricultura a desdobrar-se nas modalidades de regadio e sequeiro, respectivamente, tornando-se assim a principal actividade económica que, aliada ao sector da pesca, ocupa cerca de 45% da população activa de Santa Cruz.

Deste modo e considerando a situação da seca e do mau ano agrícola que assola o País, este concelho torna-se num dos municípios mais afectados.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de 2017, o concelho de Santa Cruz tem actualmente uma população residente de 26.190, sendo 49,4 % do sexo masculino e 50,6 % do sexo feminino, representando 8,7% (por cento) a nível da ilha de Santiago e 4,9 % a nível de Cabo Verde.

O INE estima que 50,2 % da população activa de Santa Cruz encontra-se ocupada, sendo 57,8 % homens e 42,5% mulheres. A taxa do desemprego ronda os 5,8 %, sendo 5,7 % nos homens e 6,0 % nas mulheres, ao passo que o desemprego afecta 14,4 % dos jovens (15-24).

WM/AA

Inforpress/Fim

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