ENTREVISTA: Embaixador da Guiné-bissau congratula-se com as melhorias no processo de legalização de imigrantes

Cidade da Praia, 24 Jan (Inforpress) – O embaixador bissau-guineense em Cabo Verde, M´Bala Alfredo Fernandes, congratulou-se hoje com a melhoria no processo de legalização de seus conterrâneos imigrados no arquipélago, mas apelou a uma “flexibilização” dos próprios guineenses.

Em entrevista à Inforpress, M´Bala Alfredo Fernandes disse que processo da legalização de imigrantes “tem melhorado” e que o governo de Cabo Verde tem feito “alguma ginástica”, porque a “legalização não é basta só o governo querer”, mas tem de haver, segundo afirmou, da parte dos interessados uma “flexibilização”.

“Nós temos que aceitar nos integrar, cumprir as leis do país. Isso é extremamente importante. Não podemos estar a acusar o governo porque não legalizou. Não. Temos que saber que nós estamos num país que não é nosso. Por mais que sejamos aqui bem integrados”, defendeu.

Conforme o diplomata, os guineenses constituem em Cabo Verde uma comunidade “muito bem respeitada e segura”, exemplificando que muitos prédios de emigrantes cabo-verdianos estão entregues à guarda de guineenses “por uma questão de confiança”.

“Eu não me sinto que haja racismo, xenofobia e outras coisas aqui”, prosseguiu M´Bala Alfredo Fernandes, para quem, naturalmente, os guineenses devem ser capazes de dizer que a sua migração para Cabo Verde, como nas outras partes, “não é uma migração que foi calculada, pensada”.

“Nós temos uma taxa de analfabetismo muito elevada, temos práticas sociais ainda que não se adequam com a realidade do país de acolhimento”, completou o embaixador, citando casos de conterrâneos seus que têm a “teoria” de que, quando estão doentes, é preferível ir para Guiné.

Outros há, prosseguiu, que em vez fazer em Cabo Verde o investimento para poder ter saúde e educação, preferem ter mulher na Guiné e “ir lá engravidar de vez enquanto e pagar os estudos dos filhos ali, em vez de os trazer para cá, para poderem ficar bem integrados”.

Segundo avançou o embaixador, não há uma “adesão clara” de seus concidadãos às instituições do Estado em Cabo Verde. Inclusive, disse que a própria Embaixada da Guiné-Bissau não sabe ao certo o número de guineenses no arquipélago, por falta de aproximação daqueles imigrantes.

“Não há uma aproximação, mesmo à Embaixada, que é nossa, muito menos ainda junto das autoridades, da Direcção de Emigração e Fronteira (DEF), por exemplo. Nós temos um trabalho duro”, ajuntou o diplomata, aproveitando para agradecer a “amabilidade” da Direcção-Geral de Emigração e do governo de Cabo Verde, pelos projectos que estão a fazer, de alfabetização, de luta contra a violência doméstica e também a própria flexibilidade da DEF.

M´Bala Alfredo Fernandes agradeceu, igualmente, ao ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, destacando que “não é em todo o momento que um ministro da Administração Interna aceita ir a uma reunião com uma comunidade”.

“É preciso que os guineenses comecem a pensar que nós que estamos aqui em Cabo Verde temos que cumprir as leis de Cabo Verde. Temos que aceitar socializarmos com essas entidades e temos que ser firmes naquilo que diz respeito às leis e às normas de convivência aqui em Cabo Verde”, ajuntou.

Finalizando, M´Bala Alfredo Fernandes disse que, “francamente”, quanto à legalização, a Embaixada da Guiné-Bissau está “firme”, recebendo recomendações e registos importantes do governo de Cabo Verde que “está a flexibilizar em todos os campos a integração dos imigrantes guineenses”.

GSF/JMV

Inforpress/Fim

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