Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

Cabo Verde será farol da inclusão no continente africano – investigadora portuguesa

Cidade da Praia, 30 Jul (Inforpress) – A partir do próximo ano lectivo, Cabo Verde vai ter legislação sobre a educação inclusiva, que está a ser preparada com apoio da investigadora portuguesa Célia Sousa, que considera que o país será “farol” da inclusão em África.

Depois de terem sido formados mais de 50 técnicos e professores de todo o país, Cabo Verde está a ultimar a legislação que vai regulamentar a educação inclusiva, um trabalho que começou no início do mês com apoio técnico da investigadora portuguesa Célia Sousa, coordenadora do Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID) do Instituto Politécnico de Leiria (IPL).

Em declarações à agência Lusa, na cidade da Praia, Célia Sousa notou que Cabo Verde tem “boas práticas” na área de inclusão, pelo que considerou ser “pertinente” o país lançar, no próximo ano lectivo, que inicia em Setembro, uma legislação que regulamenta a educação especial.

“Esta lei é de extrema importância por várias razões. Cabo Verde será um dos primeiros países do continente africano a implementar uma legislação que regulamenta a educação inclusiva”, disse a investigadora, considerando que o país dá um “passo de gigante” e vai passar a ser um “modelo” em África, onde existem cerca de 84 milhões de pessoas com deficiência.

Segundo o censo realizado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), em 2010 existiam em Cabo Verde 13.948 pessoas com alguma deficiência, o que representava 3,2% da população.

“Cabo Verde será o farol da inclusão no continente africano”, prosseguiu, entendendo que quando se fala se educação inclusiva deve-se falar não só das pessoas com deficiência, mas também de pessoas de outras culturas e etnias.

Além de permitir que todas as crianças com deficiência estejam na escola, adiantou que a lei vai “mudar o paradigma da educação” em Cabo Verde, onde a “escola vai ter de pensar em todos”.

“Isto é de uma riqueza imensa porque vai permitir que se criem estratégias diferentes em sala de aula, que haja uma diferenciação do ensino, uma perspectiva diferente de como acolher as crianças, não é só uma questão de acolhimento, mas de direitos humanos”, prosseguiu a docente, dizendo que, a partir de agora, as crianças vão ter respostas adequadas de acordo com as suas capacidades.

“Com esta legislação também se deixa de ver a incapacidade da pessoa, mas passa-se a olhar para a pessoa pela capacidade, porque todos nós somos diferentes e temos capacidades completamente diferentes e é dessa diferença que nasce a riqueza de uma sociedade”, mostrou.

A lei vai abranger todas as crianças cabo-verdianas no sistema de educação, desde o pré-escolar ao ensino secundário, que terão de ter técnicas, materiais, adaptação às condições de avaliação, entre outras respostas no atendimento.

Célia Sousa avançou ainda que com a nova legislação haverá um “envolvimento crescente” da família, em que todos os pais e encarregados de educação serão ouvidos para darem o seu aval para que as medidas sejam implementadas.

A investigadora portuguesa sublinhou, por outro lado, que não é por causa de uma legislação que Cabo Verde vai se transformar num país inclusivo.

“Mas há momentos em que é necessário que a legislação saia para dar visibilidade. E tendo uma legislação, as famílias e o sistema educativo têm alguma coisa que regulamenta, alguma coisa que devem poder recorrer”, enfatizou.

A investigadora portuguesa afirmou à Lusa que a legislação vai ainda fazer com que as universidades cabo-verdianas criem cursos na área de educação especial para formar técnicos, algo que era “impensável” há uns anos porque não havia regulamentação.

Célia Sousa disse ainda acreditar que, com a criação de formação nesta área, as instituições de ensino superior cabo-verdianas poderão receber muitos alunos estrangeiros, principalmente do continente africano.

“Esta legislação vai operacionalizar uma mudança em todo o sistema educativo de Cabo Verde, desde o pré-escolar ao ensino superior”, salientou, esperando ver todas as crianças na escola, para que também possam fazer parte de uma “sociedade cabo-verdiana mais inclusiva”.

Também espera que isso se venha a reflectir em políticas de inclusão social, do turismo inclusivo e nas barreiras arquitectónicas, numa que a lei estipula que todos os edifícios escolares têm de providenciar as acessibilidades.

Lusa/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos