ENG e Profin juntas para elevar o nível da poupança das famílias cabo-verdianas

Cidade da Praia, 31 Out (Inforpress) – “Poupança, um hábito para o sucesso” é tema de uma conferência realizada hoje pela Escola de Negócios e Governação (ENG) da Uni-CV e a Associação de Promoção da Educação Financeira (Profin) para assinalar o Dia Internacional da Poupança.

O evento, que conta ainda com a parceira do Banco de Cabo Verde (BCV), visa, sobretudo, sensibilizar os participantes sobre a importância da poupança e alertar sobre a necessidade de se investir na educação financeira, conforme adiantou o presidente do ENG, João Brito.

“Reflectir em relação ao dinheiro, no sentido de garantir um futuro estável para os alunos e para toda a população em geral e assim contribuir para a formação de uma geração mais consciente das suas possibilidades e mais capacitadas para tirar proveito das oportunidades que surgem é outro propósito desse evento”, sublinhou.

João Brito lembra que um estudo realizado pelo Banco de Cabo Verde em 2015 mostra que o nível de literacia financeira em Cabo Verde é bastante baixo.

“Então nós como uma escola de negócios interessados na melhoria da situação promovemos essa conferência em parceria com a Profin e o BCV com o intuito de chamar a atenção para esse tema importante que é poupança e a literacia”, explicou o professor.

De acordo com o Estudo do BCV publicado em 2016, cerca de 91% dos entrevistados consideram “importante” ou “muito importante” planear o orçamento familiar e apenas 9% entendem-no como “pouco importante” ou “nada importante”.

Entretanto, cerca de 55% planeiam com uma periodicidade que, quando muito, não vai para além do mensal. Pouco menos de metade (45 %) dos entrevistados costuma poupar e destes apenas 1 a 2% o faz numa perspetiva de longo prazo.

Cerca 53% dos entrevistados afirmam não fazer poupança. Destes, a grande maioria (82%) aponta como razão para não poupar o facto de o seu nível de rendimento não o permitir.

Segundo o presidente da Profin, António Baptista, esse argumento é falacioso. Baptista argumentou que os pobres também podem poupar e incentiva as famíliais a criarem esse hábito de poupança para repassar aos filhos.

“Fazer poupança não é simplesmente guardar dinheiro. Tem de ser um habito. A maioria das famílias não sabem isso e não costumam repassar aos filhos esse hábito e muito de nós acabamos por ser adultos mal-educados com o dinheiro e fazemos escolhas muito pobres”, disse.

“Retirar a primeira parte do dinheiro para poupança” é para já a sugestão deixada por António Baptista, já que conforme salientou e os desejos e as necessidades das pessoas são muitos e nunca sobra dinheiro para a poupança.

“O lema da poupança é pague-se a si mesmo primeiro e depois pague aos outros. Geralmente as pessoas costumam acreditar que recebem muito pouco e que é por isso que não conseguem poupar, mas isto é errado. Há países onde as pessoas poupam 10% do que recebem. Se ganhar mil escudos poupa 100 escudos” disse adiantado que o que é necessário em Cabo Verde é preparar as pessoas para lidarem com o dinheiro.

No final da conferência a ENG e a Profin assinam um protocolo institucional com o objectivo de implementar um programa voluntariado universitário em que os estudantes da ENG serão multiplicadores da Educação Financeira e assim ajudarem as famílias e sociedade a tomar decisões mais informadas e acertadas sobre o dinheiro.

MJB/FP

Inforpress/fim

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