Empresário diz ter projecto em andamento para “resolver problema da água” para agricultura em São Vicente (c/áudio)

*** Por Américo Antunes, da Agência Inforpress ***

Mindelo, 29 Jun (Inforpress) – Amílcar Lopes, empresário do agronegócio, não tem problemas em dizê-lo em alto e bom som: “temos de esquecer a chuva para nos concentrarmos na dessalinização de água” e avançar para uma agricultura “mais industrial”.

Este empreendedor sanvicentino, de 60 anos, que diz ter a solução para resolver o problema da água para agricultura e criação de animais em São Vicente, dá o mote sobre a importância da água, através de uma pintura mural na parede frontal da sua casa, no cume de um monte, do lado direito da estrada para quem vai para o Calhau, a 12 minutos de carro do centro da cidade do Mindelo.

A pintura, de grandes dimensões, é simples, uma mão estendida, que faz de torneira, da qual saem duas gotas de água, mas a mensagem “é forte”, ou seja, Amílcar Lopes, filosoficamente, diz que “se colocarmos as mãos, teremos água suficiente em São Vicente”.

“Já tenho os apoios da câmara municipal e do Governo, está a avançar, vai ser montado numa primeira fase nas localidades do Calhau e da Ribeira de Vinhas”, diz Lopes, que aponta que o projecto passa pela dessalinização, quer da água da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), para Ribeira de Vinha, quer da água do mar, para o vale do Calhau, e numa fase posterior envolver a zona de Salamansa.

“Estamos a falar na disponibilização de 500 toneladas de água/dia na Ribeira de Vinhas e no Calhau, respectivamente, mas a fase seguinte do projecto pretende chegar às 1500 toneladas de água/dia”, reforça Amílcar Lopes, para quem, com este projecto, que deve estar em experimentação no final do corrente ano, São Vicente só vai necessitar de terreno e, sobretudo, vinca, da mão-de-obra da juventude, lançar mãos à obra e “avançar seriamente na agricultura”.

“Este é o projecto da minha vida, sonho com ele, pois Calhau será transformado numa cidade verde”, declara, encerrando o assunto, sem mais pormenores, por enquanto, como disse.

“Sabes, sempre digo que sou eu a procurar o que devo dar ao meu País e nunca o que o meu País me pode dar”, completa, qual lema de vida.

E se alguém desejar um exemplo para comparar as potencialidades de São Vicente no ramo da agricultura, a partir de um esforço individual, Amílcar Lopes dá o seu, ex-torneiro mecânico, ex-marítimo e ex-emigrante, que começou a trabalhar aos 13 anos, e que após experiências na produção de cebola em escala, que exportava para outras ilhas, em 1987, e na indústria da serigrafia, confecções, tipografia e embalagens, optou pelo ramo da agricultura e criação de gado.

São três hectares de terreno cultivados e um outro tracto para a criação de animais como vacas, cabras e ovelhas, tudo raça melhorada, alimentados com forragem produzida no local à base de cevada, em contentores, na Ribeira de Julião, que Lopes define como sítio de experiências para oferecer a Cabo Verde, e que dá emprego neste momento a sete pessoas, mas que já chegou a 15 em época de colheita e embalagem de maracujá e morango.

“Sei que o investimento pessoal é enorme, mas sinto-me satisfeito, sobretudo quando vem cá alguém para ver e depois replicar, é uma alegria”, diz, enquanto enumera os 15 anos que leva em experiências na agricultura e criação de animais, aliás experiência é das palavras que Lopes mais repete ao longo da hora e meia em que a Inforpress o acompanhou no seu sítio.

Alguns números: neste momento a produção está em 200 quilogramas de maracujá/semana, mas em fase de experiência, pois a ideia é “chegar rapidamente” a 500 quilogramas/semana, já colocou 300/quilogramas de papaia por semana no mercado e 30 quilogramas de morango/dia, que produz em hidroponia e em estufa.

Mas como a palavra de ordem é experiência, neste momento a “menina dos olhos” do nosso entrevistado é uma plantação de pitaya, fruto tropical, que trouxe das Canárias, onde “bebeu” das experiências que lá se fazem no domínio das frutas tropicais, por exemplo.

“Tudo o que eles fazem lá pode-se fazer aqui em Cabo Verde, até melhor, pois o nosso clima é bem melhor”, assinalou, ao mesmo tempo que destaca as potencialidades da pitaya, um fruto tropical que boa parte da população “devia apropriar-se e cultivar”.

“O maracujá é uma fruta que também temos que colocar em escala e exportar, assim como a banana e a papaia, pois para mim é uma vergonha Cabo Verde ter, neste momento, o quilograma de banana mais caro do mundo”, declara com cara de poucos amigos.

Das Canárias trouxe também, recentemente, a ideia da construção de uma estufa inovadora em altura e na qual vai aproveitar os cabos da Electra, que são descartados e vendidos para sucata, para suportar a rede, que “não pode tocar no ferro dos postes de sustentação”.

Diz que sempre que se desloca a países como Brasil e Ilhas Canárias o objectivo é “ir ver para depois fazer”, com as “devidas adaptações” ao clima do arquipélago, ou seja, vai “comprar uma ideia”, já que trazer pronto “não é solução para Cabo Verde”.

“Ir buscar produto feito, para mim, é uma vergonha, pois se é feito por homens posso fazer igual, portanto compro, sim, mas a ideia. O que falta ao cabo-verdiano é a boa vontade de meter mãos à obra”, pontifica.

Na despedida faz questão de enfatizar que, pela sua experiência – sempre a experiência-, a agricultura é viável em Cabo Verde e São Vicente é “a ilha mais viável”, porque “tem só planície, só falta a água”, mas para esta diz ter já a solução.

AA/CP

Inforpress/Fim

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