Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

Empresa eléctrica estatal venezuelana está à beira da falência, dizem sindicatos

Caracas, 26 Abr (Inforpress) – A migração de profissionais qualificados, as constantes avarias e a falta de investimento estão a afectar a empresa estatal Corporação Eléctrica da Venezuela (Corpoelec) deixando-a “quase à beira da falência”, segundo os sindicatos e a imprensa local.

“Uma brutal debandada de técnicos qualificados e a falta de investimentos mantêm a Corpoelec quase à beira da falência, cujo funcionamento é tão mínimo que não tem capacidade de resposta nas comunidades que demandam um serviço melhor”, segundo o diário La Prensa de Lara.

A situação foi denunciada pelos porta-vozes da Federação Eléctrica da Venezuela (FEV, sindicato), Edgar Bracho e Oswaldo Méndez, que acusam a empresa de ocultar os dados sobre trabalhadores activos e apontam os baixos salários e a falta de segurança como as razões para “constantes demissões desde 2016”.

“Demitiram-se 45% dos 40 mil trabalhadores. Essa debandada deve-se aos baixos salários. Um trabalhador recebe um salário de um dólar (0,83 euros) e o cabaz básico alimentar custa 300 dólares (248,13 euros). Os trabalhadores deixam a indústria em busca de qualidade de vida”, segundo Edgar Bracho.

Além disso “90% dos empregados são discriminados” porque através da plataforma estatal Pátria, “alguns trabalhadores com alta folha de pagamento, como gerentes e engenheiros, recebem um bónus” entre 45 e 120 dólares (entre 37,22 e 99.25 euros) “o que gera insatisfação e desânimo nos poucos trabalhadores que permanecem nas fábricas”.

Segundo Oswaldo Méndez, faltam investimentos em geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia eléctrica, cuja produção em algumas regiões é inferior a 10% das necessidades.

A FEV alerta ainda que apenas estão abertos 50 dos 350 escritórios comerciais da Copoelec e que não estão a ser feitas as “leituras” mensais nos contadores de consumo.

A Federação alega ainda que o número de veículos disponível para atender as avarias é de pouco mais de 10% da frota que existia, o que demora o atendimento.

“Os clientes não têm onde ir para solicitar serviço, vendo-se obrigados a pagar subornos se quiserem instalar um negócio ou reparar avarias”, afirma Oswaldo Méndez.

Entretanto, segundo a Associação Venezuelana de Engenharia Eléctrica, “persistem e persistirão as flutuações eléctricas” no país, devido à “deterioração” do sistema, a questões relacionadas com a disponibilidade de combustível para geradores termoeléctricos e a manutenção das centrais de Guri (principal do país), Caruachi e Macágua.

Na Venezuela são constantes as queixas da população sobre falhas no abastecimento de energia eléctrica que vão desde apagões a subidas ou descidas de voltagem.

Segundo a organização não-governamental Comité de Afectados pelos Apagões (CAPA), a Venezuela registou 157.719 apagões e falhas eléctricas entre Janeiro e Dezembro de 2020.

Em 07 de Março de 2019, ocorreu o maior apagão da história da Venezuela: uma falha na Central Hidroeléctrica Simón Bolívar deixou o país totalmente às escuras durante cinco dias.

Um ano depois, em 25 de Março de 2020, voltou a registar-se outro grande apagão que afectou pelo menos 16 Estados e parte do Distrito Capital.

A 06 de Maio de 2020, 19 dos 24 Estados da Venezuela ficaram total ou parcialmente às escuras devido a um apagão que afectou também a Internet e as comunicações telefónicas.

E 13 dias depois um apagão voltou a deixar a cidade de Caracas e mais de metade do país às escuras.

Inforpress/Lusa/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos