Embaixada de Cabo Verde na CEDEAO representa “sinal forte” de integração – Jean–Claude Kassi Brou

Cidade da Praia, 27 Abr (Inforpress) – O presidente da Comissão da CEDEAO, Jean–Claude Kassi Brou, disse hoje que a abertura de uma embaixada de Cabo Verde na CEDEAO e na Nigéria (Abuja) é “um exemplo, é a abertura” e “um sinal muito forte”.

“A representação permanente perto da CEDEAO permitirá ter contactos regulares e permanentes sobre todas as questões da integração”, disse este responsável em declarações à imprensa após ser recebido em visita de cortesia pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia, no Palácio da Várzea.

Jean–Claude Kassi Brou, que realiza uma visita oficial a Cabo Verde de 27 a 29 de Abril, a convite de Ulisses Correia e Silva, frisou que a presença permanente de personalidades cabo-verdianas em todas as reuniões da CEDEAO, seja técnica ou ministerial, ou mesmo uma reunião, representa também “um engajamento muito forte” na integração regional.

Mudando de assunto, o presidente da Comissão da CEDEAO ressaltou que Cabo Verde é um modelo de democracia na região e para o mundo, citando que há algumas dificuldades nas regiões por questões democráticas, mas que no arquipélago é possível verificar uma democracia viva e dinâmica, que permite fazer trocas internas e num processo democrático “muito forte”.

Voltando à questão da integração regional, Jean–Claude Kassi Brou disse que o primeiro-ministro lembrou no encontro que Cabo Verde tem particularidades que são muito específicas, que dizem respeito à sua geografia.

“Isto complica a ligação que é um elemento muito forte da CEDEAO. Aqui é um arquipélago, então há estes desafios. Temos que considerar esses desafios, na forma como gerimos a integração, Cabo Verde tem o comércio muito activo com outros continentes, quer dizer que é possível também ter comércio com os outros países da África Ocidental. Temos de nos juntar, colectivamente e criar essas condições para que esse comércio seja reforçado”, defendeu.

“Actualmente, o comércio é apenas de 2%, com uma média de 15% na região. Quer dizer que há até uma margem de produção. Vejo isso de uma forma positiva. Se conseguirmos esse comércio vai ser para o benefício da população cabo-verdiana e dos outros países da região. Então, é um ponto muito importante”, acrescentou.

Ainda nas suas declarações, disse que há muitos aspectos que a sua comitiva pretende discutir com o Governo de Cabo Verde, nomeadamente a nível sectorial, da infraestrutura, onde defendeu que é preciso encontrar os mecanismos e meios para criar infraestruturas que possam apoiar na questão da ligação.

Dentre outros, Jean–Claude Kassi Brou defendeu a criação de condições para que o sector privado de Cabo Verde conheça melhor as outras regiões da CEDEAO e vice-versa.

“Para ter estas trocas, investimentos e comércios já tínhamos engajado este processo quando, na minha passagem em 2019 tínhamos preparado um plano de acção que com a covid-19 foi suspenso. Mas, vamos retomar tudo isso porque pensamos que tem um potencial que pode ser desenvolvido”, frisou.

Por seu turno, Ulisses Correia e Silva disse que o compromisso de Cabo Verde está reflectido no facto de o país, e pela primeira vez, ter aberto uma embaixada em Abuja, Nigéria, que é a representação de Cabo Verde junto da CEDEAO.

“Também nos regozijamos com a abertura da representação permanente da CEDEAO em Cabo Verde. O arquipélago já assinou e ratificou diversos acordos com a CEDEAO, temos pendente uma decisão que iremos reforçar a sua concretização para a regularização do pagamento da taxa comunitária que está em atraso”, acrescentou.

Ulisses Correia e Silva disse ainda que, infelizmente, a situação económica e social provocada pela pandemia e as crises subsequentes criaram uma pressão “muito forte” sobre as finanças públicas que não permitiram operacionalizar o início da regularização dos atrasados desta dívida provocada pelos atrasos no pagamento da taxa comunitária, mas que o engajamento é de encontrar soluções e avançar.

“Reforço a nossa convicção, mas também o nosso propósito que é a integração de Cabo Verde da CEDEAO, tendo em conta as especificidades do país. Nós somos o único país insular arquipelágico da CEDEAO, temos uma economia ainda muito ligada ao turismo e um comércio com forte dependência de relações e de transações com a Europa, a estrutura da economia é diferente da estrutura da economia continental, isso obriga a ter em conta as especificidades evidentes existentes neste pequeno país”, pontuou.

GSF/JMV
Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos