Em Cabo Verde a física é pouco utilizada, lamenta professora da Uni-CV

Cidade da Praia, 12 Set (Inforpress) – A física em Cabo Verde é aplicada no ensino, mas a sua potencialidade desde os mais elementares até os mais complexos é “desconhecida”, disse hoje a presidente da comissão organizadora da 4ª Conferência de Física da CPLP.

Sónia Semedo, que também lecciona na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), sublinhou em declarações à imprensa que para, além do ensino no País, a física é também utilizada no sector da energia e nos serviços de saúde, mais concretamente nos serviços da imagiologia.

“A física em Cabo Verde é definida como instrumento de ensino, a investigação é muito fraca e nas outras áreas é pouco aplicada. Aplicamos a física no ensino, na energia e um pouco na saúde nos serviços da imagiologia”, disse a responsável pela preparação da 4ª Conferência de Física dos Países da Língua Portuguesa (CPLP).

A professora universitária que admite a necessidade de se falar da física para que as pessoas tenham maior conhecimento, visto tratar-se de uma área da ciência que tem relação com todas as outras disciplinas, sublinhou ainda que a física foca na natureza geral do mundo natural daí a sua interligação com a matemática.

“A física sem a matemática não pode ser compreendida porque a matemática é a língua da física. Por isso, esta conferência que já vai na quarta edição, e a ideia é reunir todos os físicos da CPLP para discutir a física sem os constrangimentos linguísticos, desmistificar e fazer com que chegue a associada”, afirmou.

Incidindo sobre o lema que irá caracterizar a conferência “A Física para o Desenvolvimento Sustentável”, Sónia Semedo explicou que a física é aplicada em todas as áreas e a evolução industrial acontece devido aos conhecimentos científicos, alegando, no entanto, a necessidade de se saber como desenvolver e inovar de uma forma sustentável.

“Existem formas feias da física que é a construção de uma bomba atómica em que se utiliza uma quantidade de energia que poderia ser armazenada e utilizada para um bem comum e não para fins inadequados”, indicou.

Por isso, sublinhou, em Cabo Verde é preciso começar-se a incentivar a utilização da física para que as pessoas possam descobrir as suas utilidades e as políticas governamentais devem ir mais nesse sentido.

Sónia Semedo, que realçou que no País há muito por fazer começando por trabalhar em parceria com os outros países e associações, advertiu que para isso é preciso haver uma estratégia bem delineada.

A 4ª conferência de estudantes, investigadores e professores, de diferentes áreas e culturas sobre física que decorre de 12 a 16 em Cabo Verde, iniciou hoje com a formação de dois dias destinada a professores da física, estando prevista a abertura oficial do colóquio a 14 de Setembro.

Durante o colóquio serão abordados temas ligados ao meio ambiente e alterações climáticas, fontes sustentáveis de energia, sistemas complexos, inteligência artificial, tecnologia espacial e nanotecnologias.

A 1ª Conferência de Física dos Países de Língua Portuguesa aconteceu em Maputo, em 2010, seguiu-se Rio de Janeiro, em 2012, e São Tomé e Príncipe, em 2019.

A UFPLP é uma associação de direito privado sem fins lucrativos e tem por objectivo desenvolver e propiciar as condições favoráveis a um ambiente de união entre os membros, e de solidariedade entre os físicos dos países e territórios associados, com vista à criação de oportunidades e condições condignas para a afirmação do exercício da profissão.

PC/ZS

Inforpress/Fim

 

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