Electra prevê redução das tarifas de água só após “consolidação da eficiência” de produção – responsável

Mindelo, 15 Nov (Inforpress) – O director da Unidade de Serviços e Aprovisionamento da Electra, Hipólito Gomes, garantiu hoje, no Mindelo, que a redução nos custos de produção, só irá ter reflexo na tarifa dos consumidores após a “consolidação” da eficiência.

Este responsável tecia estas considerações à imprensa na sequência do painel “Produção e distribuição de água dessalinizada – perspectivas de optimização de custos”, que apresentou na manhã de hoje na conferência organizada para assinalar os 50 anos de dessalinização em Cabo Verde.

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, pediu, na última segunda-feira, que a redução de custos na produção seja depois transferida para os consumidores, a Electra passar a produzir água 50 por cento (%) menos custoso em consumo de energia.

Mas, Hipólito Gomes defendeu que os avanços tecnológicos não vão permitir “grandes reduções” em termos de custos de produção, uma vez que já se chegou ao limite, em que os custos podem ser considerados “muito baixos”.

“Utilizamos em Cabo Verde equipamentos topo de gama, com alta eficiência, do melhor que actualmente se produz no mundo, mas internamente teremos que estar preparados para manter a eficiência destes equipamentos”, disse a mesma fonte, que falou em factores como a manutenção, reengenharia de processos e procura de “melhor água” para alimentação.

Esses “ganhos de eficiência”, depois de consolidados, ajuntou, vão ser tidos em devida conta pela Agência de Regulação Económica (ARE), entidade reguladora e, logicamente, serão traduzidos em ganhos para toda a população, com efeito nas tarifas.

Entretanto, Hipólito Gomes relembrou que a ARE coloca um chapéu à Electra em termos de consumos específicos, que se forem maiores que quatro não passam para os clientes e sim torna-se um ganho para a empresa.

“Mas, com essa redução dos custos e aumento da eficiência, a ARE vai apertar um pouco mais em termos de consumos específicos e terão em conta outros dados como perdas para se fazer a tarifa final do consumidor”, considerou, adiantando que isso só poderá ser feito depois da consolidação desses dados, fornecidos através de relatórios anuais, mas também se não houver outros factores como o aumento dos preços dos combustíveis internacionalmente, que influenciam a produção.

Por outro lado, Hipólito Gomes apontou a questão das construções clandestinas, que estão sendo construídas em cima da cota dos tanques de distribuição, como outra das dificuldades.

“E depois ficámos com redes vulneráveis, que podem ser violadas a qualquer momento, que levam ao aumento das perdas e isso encarece a nossa distribuição e exploração”, lançou este engenheiro, garantindo que, por agora, estes bairros, vão ficar sem água ou procurar outros meios para o transporte desta, “porque da rede é impossível”.

Lançando outro repto, Hipólito Gomes chama a atenção para a necessidade de se reservar espaços para a construção de dessalinizadoras nos diversos concelhos do país, uma vez que muitos destes locais, situados perto do mar, estão sendo destinados às Zonas de Desenvolvimento Turístico Integrado (ZDTI).

“E é junto ao mar, que se deve instalar os dessalinizadoras para termos ganhos, por isso, o planeamento deve dizer esta área é reservada à dessalinização no futuro, porque o nosso futuro é a dessalinização”, concretizou.

Enquadrado nas actividades dos 50 anos de dessalinização em Cabo Verde, que se realizam desde segunda-feira, vai ser feita, na tarde de hoje, uma homenagem aos antigos trabalhadores da extinta Junta Autónoma das Instalações e Dessalinização (JAIDA) e ainda apresentação do projecto museológico da Associação Aga Nos Vida.

LN/ZS

Inforpress/Fim

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