Educação inclusiva: Cabo Verde precisa ter um outro “olhar” na política destinada ao aluno e ao educador – conferencistas

Cidade da Praia, 30 Out (Inforpress) – A educação inclusiva em Cabo Verde é um assunto que gera muito debate, discussões e dúvidas acerca do que é mais adequado tanto para as crianças que necessitam de uma educação especial como para os educadores.

Esta tese é defendida pelos conferencistas na I Conferência Internacional para a Inclusão em Cabo Verde, promovida pela Colmeia – Associação de Pais e Amigos de Crianças e Jovens com Necessidades Especiais -, que decorre na Cidade da Praia, durante os próximos três dias, e que falaram sobre “Políticas de educação inclusiva em Cabo Verde”.

A educação inclusiva, segundo Filomena Delgado, constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação à ideia de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola.

A conferencista destacou a evolução que se conseguiu no país com algumas mudanças legislativas nos anos 90, onde se incluiu a educação especial na lei de bases, assim como aprovação de artigos que reconhecia o direito de pessoas com deficiência a ser abrangido pelo sistema educativo.

“É preciso teremos um olhar positivo sobre o que já se fez, mas é preciso dizer que ainda temos muito a fazer nesta matéria. Aliás, neste debate veio à baila a necessidade de se adaptar o currículo educativo para o aluno, a questão da avaliação, bem como a educação física adaptada”, disse.

Já a directora-geral da Inclusão Social, Mónica Furtado, apresentou algumas medidas de política do Ministério da Educação, que incluem a gratuitidade do ensino que se inicia no pré-escolar até ao ensino superior de pessoas com deficiência, regime jurídico existente na educação inclusiva, bem como a formação de professores para trabalhar com as crianças com necessidades educativas especial.

A inclusão das crianças com necessidades especiais na escola, segundo Mónica Furtado, é um princípio de valorização do ser humano sem nenhum tipo de preconceito, para que estas possam exercer sua cidadania e se sentir integradas na sociedade.

O Ministério da Educação, segundo referiu, tem participado no processo de aprendizagem com o apoio da escola, da equipe multidisciplinar, professores, família e comunidade, visando auxiliar o aluno para adquirir habilidades que são essenciais para garantir o bom desempenho.

Para a professora universitária Célia Sousa, do Instituto Politécnico de Leiria, a formação é essencial neste processo e deve assegurar professores capacitados para oferecer uma educação de qualidade com currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organizações específicos que atendam às necessidades desses educandos.

Célia Sousa, que falou do tipo de currículo que se exige ao professor em Portugal para que este possa acompanhar crianças com necessidades educativas, asseverou que a ausência de conhecimento do educador sobre as particularidades das deficiências, o não reconhecimento das potencialidades destes estudantes e a não flexibilização do currículo podem ser considerados factores determinantes para as barreiras atitudinais, práticas pedagógicas distanciadas das necessidades reais dos educandos e resistência com relação à inclusão.

A inclusão educacional, sustentou, requer professores preparados para actuar na diversidade, compreendendo as diferenças e valorizando as potencialidades de cada estudante de modo que o ensino favoreça a aprendizagem de todos.

“A falta desta formação gera o fenómeno da pseudo-inclusão, ou seja, apenas da figuração do estudante com deficiência na escola regular, sem que o mesmo esteja devidamente incluído no processo de aprender. Estar matriculado e frequentando a classe regular não significa estar envolvido no processo de aprendizagem”, afirmou.

Segundo Célia Sousa, não basta garantir o acesso destes estudantes à escola regular, é necessário o apoio ao docente para que esta inclusão aconteça garantindo-se a igualdade no atendimento pedagógico e fazendo com que o docente se envolva no respeito e na compreensão da diversidade.

Para terminar o painel “Políticas de educação inclusiva em Cabo Verde”, a presidente do Acarinhar, Teresa Mascarenhas, referiu-se sobre um pequeno avanço constatado no pré-escolar para as crianças com paralisia cerebral, afirmando, por outro lado, que já no EBI a situação “é complicada e muitos ficaram fora do sistema educativo.

No segundo dia da I Conferência Internacional para a Inclusão em Cabo Verde, promovida pela Colmeia, o destaque para o debate sobre os temas “Política de educação inclusiva em Cabo Verde”, “Educação inclusiva contextualização e intervenção”, e “Experiências e práticas em Educação Inclusiva”.

PC/CP

Inforpress/Fim

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