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“É uma tristeza não poder comemorar São João como noutros tempos” – João Baptista, tocador de tambor

Mindelo, 24 Jun (Inforpress) – João Baptista Brito nasceu a 24 de Junho de 1945 e sempre teve o São João como o seu santo, por isso, disse ser “uma tristeza” não poder comemorar, hoje, essa festa como noutros tempos.  

João Baptista Brito carrega o nome do santo que abençoou o seu nascimento há 76 anos na zona de Cabo d’Ribeira, no Paul (Santo Antão) e, por isso, sente a “paixão” pelos tambores desde tenra idade.  

“Comecei a tocar de pequeno e aprendi com os meus amigos, tocávamos antes em cana de cariço e depois passamos a tocar em prato de esmalte, furava todos os pratos da minha avó”, disse, entre risos, admitindo causar alguma “penitência” à avó, mas muito provocada por esse “amor” por esta festa junina, que aprendeu com os mais velhos.  

Tanto “encanto” que o fazia “esquecer de tudo”, até das compras encomendadas pela avó, e sair a correr atrás de tocadores que apareciam na sua zona.  

“Esquecia totalmente das compras e depois a minha avó me ia buscar com vara”, recordou.  

Entretanto, aos 14 anos, João Baptista Brito já tocava de modo “profissional” nas festas na zona de Lagoa, em Ribeira Grande, acompanhado de um dos irmãos e outros companheiros. Acompanhava todos os santos, Santo António, São Pedro, mas, “com certeza”, o de preferência era o São João, (Son Jon, em crioulo).  

“Porque é o meu santo, é o meu preferido”, considerou este tocador, que não parou nem mesmo quando passou a viver em São Vicente, a partir de 1984, e até na passagem de um ano pela ilha do Sal.  

No aventurar por São Vicente, à procura de melhores condições, João Baptista Brito tanto não esqueceu o seu tambor como já conta mais de 16 anos de participação nas festividades de São João organizadas pela Agência Fly, com a romaria iniciada no centro da cidade do Mindelo e com o auge na zona de Ribeira de Julião, onde situa-se a capela de São João, com tamboreiros, coladeiras, marinheiros e navios e muito comes e bebes.  

“É aqui em São Vicente que tenho mais tempo de toque, durante estes 16 anos, tomávamos o navio à frente do Centro Cultural do Mindelo e depois íamos para Ribeira de Julião e lá que era festa, entregávamos o navio num reservado, colávamos, íamos à igreja, fazíamos as rodeadas e depois, no fim, apanhávamos o carro para voltar para a cidade”, descreveu.  

Por isso, disse sentir-se “triste” por não cumprir a “tradição” nestes dois anos seguidos, devido à covid-19, e estar sem “toda a ambientagem” que caracteriza o San Jon. 

Daí, João Baptista Brito pedir ao seu santo de devoção para levar esta doença para “bem longe” para poder no próximo festejar “como deve ser” esta festa de “muita alegria”.

Em São Vicente, as festividades de São João, neste dia 24 de Junho, estão condicionadas pelas restrições da pandemia, mesmo assim vai-se cumprir a parte religiosa com a celebração da missa, presidida pelo bispo Dom Ildo Fortes, na zona de Ribeira de Julião. 

LN/AA 

Inforpress/Fim 

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