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Duas gerações de linguistas reúnem-se para debater a língua cabo-verdiana (c/áudio)

Cidade da Praia, 20 Fev  (Inforpress) – A Biblioteca Nacional de Cabo Verde reuniu hoje, na Cidade da Praia, duas gerações de linguistas para uma conversa aberta sobre a língua materna, como forma de assinalar o Dia Internacional da Língua Materna, comemorado no dia 21.

Segundo a curadora interina da biblioteca, Isabel Rosa, a ideia foi trazer os especialistas para partilharem as suas experiências com os jovens estudantes sobre o crioulo, a sua evolução histórica e o seu futuro.

“Há vários estudos, bastante avançados de linguistas, sobre a língua crioula e temos ainda uma legislação, mas mesmo não estando oficializado o crioulo está na nossa legislação, portanto quer dizer que tem uma força e que o Governo está preocupado com esta questão” afirmou.

Fala-se muito da oficialização do crioulo, entretanto para o investigador e linguista Manuel Veiga, que representa uma geração mais consagrada, é preciso alargar e massificar o ensino desta língua nas escolas.

Mas, para isso, advogou, é preciso criar as condições, e uma das propostas apresentada pelo investigador é a criação de um gabinete de estudo que, a seu ver, será fundamental para equacionar os problemas, para preparar os materiais didácticos e ainda para programar acções de formação para os professores.

“Se estamos a ensinar o crioulo tem que ser com professores do crioulo e não do português, por isso é preciso formar os professores, é preciso criar materiais didácticos, é preciso investir na investigação e no ensino e é preciso estimular o uso do crioulo nas diversas instituições”, disse, aconselhando o Governo a retomar o projecto-piloto de ensino bilingue nas escolas.

Para além de chamar atenção do Governo, Manuel Veiga alertou a Biblioteca Nacional para reeditar os livros em crioulo, uma vez que estes “estão praticamente esgotados”, para que estudantes possam ter ferramentas de estudo.

Da parte da nova geração, a professora do crioulo Mónica Andrade, que começou a aprender a sua língua materna no mestrado, disse que o “crioulo é rico” e que ao contrário do português, que tem apenas seis pronomes, ela tem vários pronomes.

Segundo referiu, os estudantes ainda não têm consciência da dimensão dos pronomes que essa língua tem, por isso defendeu que é necessário produzir mais estudos para clarificar as diversas situações do uso dos pronomes e não só.

Mónica Andrade, que actualmente dá aulas de crioulo para os estrangeiros, afirmou que não é fácil ensinar a um estrangeiro e levá-lo a entender o funcionamento dessa língua, mas graças ao seu estudo sobre a sistematização no estudo de pronomes consegue clarificar os alunos.

Para além de Manuel Veiga e Mónica Andrade esta conversa, moderada por Adelaide Monteiro, contou com a participação de Marciano Moreira e Augusta Évora.

Ainda para assinalar esta data, a Biblioteca Nacional tem agendado para quinta-feira, 21, uma feira de livro no Palácio da Cultura Ildo Lobo, na Cidade da Praia.


AM/AA
Inforpress/Fim

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