Docente propõe estudos para se conhecer razões da fraca representação de mulheres na Engenharia

Cidade da Praia, 23 Jun (Inforpress) – Elisabeth Andrade, docente e investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Uni-CV, defendeu a necessidade de realização de estudos exploratórios para se conhecer as verdadeiras razões da fraca representação de mulheres na Engenharia em Cabo Verde.

A professora universitária fez esta proposta em entrevista à Inforpress, no âmbito do Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, que se assinala a 23 de Junho e que este ano tem como lema “Inventores e Inovadores”.

Licenciada em Engenharia Informação, mestre em Sistema de Informação e doutorada em Tecnologias de Informação e Comunicação na área da Educação, Elisabeth Andrade lecciona na Universidade de Cabo Verde desde 2006 e afirma que se sente realizada com a escolha da profissão.

No entanto, lamentou o facto de existirem poucas mulheres na área de Engenharia em Cabo Verde e que embora o país tenha poucas mulheres a exercerem essa profissão, são notórios os trabalhos de qualidade que as mesmas vêm desenvolvendo nos diversos sectores.

“Tem havido um esforço para esta conquista, isto porque é um desafio muito grande, tradicionalmente as áreas de engenharias são desempenhadas maioritariamente por homens. É um estereótipo de género, já vem de longa data, mas mesmo assim os esforços vêm sendo desenvolvidos para que as mulheres conquistem o seu espaço no mercado de trabalho”, afirmou.

Apontou neste sentido a fraca participação de mulheres nos cursos de Engenharia como o maior desafio a ser ultrapassado, pelo que propõe mais acções de sensibilização e trabalhos investigativos que permitam ter mais informações sobre esta situação.

“No nosso contexto cabo-verdiano, temos de realizar estudos exploratórios para tentarmos perceber quais são os motivos dessa fraca participação. Temos de investigar para saber quais são as causas, os problemas, desafios que fazem as mulheres a não procurarem os cursos de Engenharia. Será só por causa dos estereótipos de género, dos preconceitos?”, questionou, lembrando que a Engenharia é uma área desempenhada tradicionalmente por homens.

Reconheceu a necessidade de os profissionais da referida área estarem sempre a actualizar os conhecimentos, isto porque, sustentou, com o passar dos anos a profissão tem inovado e que os mesmos terão que adaptar-se às novas tendências.

“A forma como a própria mulher está inserida nessa área contribui no combate a diferenciação entre homens e mulheres na área de engenharia. A área está em constante evolução e é preciso adaptarmos às mudanças e inovações para podermos responder às exigências da profissão”, declarou, considerando ser importante que as mulheres encarem a profissão com naturalidade e que a mesma não deve sentir-se inferior só pelo facto de ser mulher.

Para Elisabeth Andrade, a mulher desempenha um papel importante na Engenharia, afirmando que o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia reforça a importância da profissão na quebra de preconceitos.

O Dia Internacional das Mulheres na Engenharia é comemorado anualmente em 23 de Junho. A data foi criada pela Women’s Engineering Society (WES), que foi fundada por um pequeno grupo de engenheiras em Londres em junho de 1919 – um século atrás.

A efeméride tem como objectivo fortalecer o espaço que as engenheiras vêm ganhando na profissão, antes maioritariamente ocupada por homens.

CM/JMV
Inforpress/Fim.

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