Director da TCV classifica de “grosseira e inadmissível” a interferência da líder do PAICV sobre os critérios noticiosos

 

Cidade da Praia, 12 Out (Inforpress) – O director da Televisão de Cabo Verde (TCV) classificou hoje de “grosseira e inadmissível a interferência da líder do PAICV”, que considerou que a comunicação social pública, em particular a Televisão, “está sendo instrumentalizada”.

Em conferência de imprensa e utilizando o direito de resposta, António Teixeira reagiu desta forma às declarações da líder do PAICV (oposição), Janira Hopffer Almada, que, no final de uma audiência com o conselho de administração da Rádio Televisão de Cabo-verdiana (RTC) esta quarta-feira, disse ter a “clara percepção” de que está a ter “alguma instrumentalização da comunicação social pública em Cabo Verde, particularmente da TCV”.

“É grave que uma líder política de um dos maiores partidos de Cabo Verde aborde um assunto com base nas percepções, nós trabalhamos com números e factos”, precisou o director, acrescentando que é uma “atitude de interferência grosseira e inadmissível” no Estado de Direito, por parte da presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

Segundo ele, esta é uma “forma de pressão ilegítima e inaceitável” que vem da presidente do maior partido da oposição, lembrando que quando houver qualquer falha por parte da direcção da TCV, deve-se recorrer à Autoridade Reguladora da Comunicação Social (ARC) que terá todos os mecanismos para aferir àquilo que está sendo feito na televisão pública.

António Teixeira garantiu que a TCV vai continuar a seguir a sua linha editorial “sem qualquer tipo de interferência de quem quer que seja”, pactuando pelo rigor e transparência, sendo certo que quem cabe decidir o que é ou não noticiável é a chefia do departamento de informação, ou, sempre que é possível, o colectivo dos jornalistas.

Em relação à crítica de Janira Hopffer Almada sobre a ausência da TCV nas visitas do PAICV às diversas localidades e concelhos, bem como nas suas actividades partidárias, exemplificando a deslocação dos deputados deste partido ao concelho de São Domingos, em que se reuniram com os artesãos, agricultores, criadores de gado e pescadores, num momento que se perspectiva um mau ano agrícola, o director esclareceu os critérios.

O responsável explicou que os critérios da cobertura noticiosa utilizados pela TCV, que “não tem meios” para ter um jornalista a acompanhar os partidos políticos, é que quando houver uma visita aos círculos eleitorais, os próprios partidos devem decidir onde é que vão falar à imprensa para que a televisão possa estar presente.

Neste caso, António Teixeira disse que o PAICV fez visita ao círculo eleitora da Praia, escolhendo falar à imprensa no cais da Praia, através do deputado Felisberto Viera, e que a TCV esteve presente, mas que quando continuou a sua visita, deslocando-se ao concelho de São Domingos, a televisão “não tinha como estar lá”.

Entretanto, precisou que a líder Janira Hopffer Almada decidiu, no dia seguinte, dar uma conferência de imprensa, mas que quando a TCV chegou “atrasado devido à falta de meios”, a mesma “recusou-se” a falar à equipa da televisão.

“Nós queremos repor, não a percepção, mas números reais dos arquivos dos jornais que estão disponíveis para todos” ressaltou Teixeira, apontando que, nos últimos três meses, de 01 de Julho a 11 de Outubro de 2017, o PAICV apareceu 77 vezes (68% das aparições dos partidos políticos) no Jornal da Noite da TCV.

O Movimento para a Democracia (MpD-no poder), continuou, no mesmo período apareceu 19 vezes (17%), a União Cabo-verdiana e Democrática (UCID-oposição) 14 vezes (12%) e o Partido Popular de Cabo Verde (PP) apareceu quatro vezes (4%).

No jornal do dia 04 de Julho, o responsável indicou que o PAICV apareceu quatro vezes seguidas, assim como no dia 15 de Julho apareceu também quatro vezes e no dia 16 de Julho apareceu cinco vezes no Jornal da Noite.

DR/ZS

Inforpress/Fim

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