Dia Mundial do Professor: Docentes defendem que é uma data para uma reflexão sobre o papel da classe

Cidade da Praia, 05 Out (Inforpress) – Dois docentes abordados pela Inforpress, hoje, no Dia Mundial do Professor, proclamado pela Unesco, defendem que se trata de uma data para uma “reflexão” sobre o papel desta “importante classe profissional” na sociedade.

Jorge Brito, professor universitário, diz que, pessoalmente, prefere comemorar o Dia Internacional do Professor por ser uma “causa universal” a ter que assinalar o Dia do Professor Cabo-verdiano.

“Na minha humilde opinião, são esses dias internacionais que deveriam ser mais comemorados”, afirmou o docente na Universidade Jean Piaget, para quem, em vez de se referir à comemoração, devia-se falar de “reflexão” para que as pessoas saibam sobre o que a problemática traz e sobre algo que precisa de ser “melhorado, reparado e empolgado”.

Segundo ele, por causa da pandemia da covid-19, certas profissões começaram a ser “mais valorizadas”, nomeadamente as ligadas à saúde, mas, sublinhou, as da educação devem continuar a merecer atenção.

Para José Brito, com o novo paradigma de incentivo da educação digital, começa se a “valorizar mais a questão do professor”.

Sem poupar nas palavras, aquele docente entende que há uma “ignorância geral sobre questões científicas” e que agora se faz sentir com a proliferação de fake news (notícias falsas), o que faz com que as pessoas fiquem “desorientadas”, porque “não têm o background científico suficiente”.

Instado sobre a valorização do professor cabo-verdiano, lembrou que antigamente esta classe profissional era tratada com “veneração”, sobretudo no interior do país,  onde lhe eram oferecidas prendas.

“Em Cabo Verde, o professor sempre foi valorizado. Mas, se se referir em termos financeiros, isto já é outra história”, indicou Jorge Brito, gabando-se que, enquanto professor universitário, não tem que se queixar.

Na sua perspectiva, num país como Cabo Verde, é “complicado” satisfazer, em simultâneo, a todos os grupos reivindicativos.

Quanto ao apelo aos seus colegas, exortou a todos para uma “maior consciência” sobre a sua profissão e, segundo ele, “mais do que ensinar, ser um catalisador da aprendizagem, ou seja, estimular nos alunos o gosto do saber”.

Por sua vez, Silvina Correia Andrade, professora do ensino secundário, defende que o Dia Mundial do Professor, deve ser de “reflexão e, também, de comemoração”.

“É um dia em que todos os docentes devem debruçar-se sobre o estatuto do professor para podermos estar cientes dos nossos deveres e direitos”, precisou, acrescentando que o professor  tem um “papel importante” na sociedade.

Considera, entretanto, que falta o reconhecimento da parte das autoridades governamentais que “devem reconhecer o papel social do professor”.

“Os vencimentos que, neste momento, auferem os professores do ensino básico e secundário não abonam muito a nossa missão como professor”, lamentou aquela docente, que recorda que a “promoção na carreira está parada e não há aumento do vencimento”.

“Já assistimos a várias classes profissionais que viram revistos os seus processos relativamente a vencimentos, mas em relação aos professores, as coisas estão paradas e ninguém faz nada”, revelou a fonte da Inforpress.

Segundo Silvina Andrade, a classe de professor devia ser “mais valorizada” em Cabo Verde.

Contudo, acha que da parte da sociedade esta valorização é “notória” porque as pessoas estão a reconhecer o papel do professor na procura de soluções para o momento pelo qual está a passar o país, ou seja a pandemia da covid-19.

“Sem o professor a sociedade pára. É só vermos que neste momento está tudo parado, porque não há movimento de professores nem de alunos”, acrescentou.

Silvina Andrade deixa uma mensagem de “encorajamento, de muita fé e esperança”, porque, salientou,   o professor é quem sempre procura a solução para os problemas.

O dia 5 de Outubro foi proclamado pela Unesco como Dia Mundial dos professores em 1944, para celebrar a aprovação, em 5 de Outubro de 1966, a Recomendação da Unesco/OIT sobre o estatuto dos professores, numa conferência intergovernamental especial convocada pela Unesco.

LC/AA

Inforpress/Fim

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