Dia Mundial do Livro: Jovens garantem que há espaço para livro físico e digital (c/áudio)

Cidade da praia 23 Abr (Inforpress) – Apesar de as tecnologias estarem a assombrar as livrarias, os jovens garantem que há espaços para todos porque há algumas pessoas que preferem comprar o livro físico para que possam ter o prazer de sentir o seu cheiro.

No dia Mundial do Livro e dos Autoresm a Inforpress conversou com alguns jovens da Cidade da Praia que afirmaram que, hoje em dia, é mais fácil ter acesso aos livros através da internet ou através dos clubes da leitura onde trocam livros entre si.

Esses mesmos jovens afirmam que mesmo que muita das vezes preferem estar em contacto com um livro, por falta de recursos, são obrigados a recorrer aos sites que disponibilizam os livros gratuitos ou então pedem por empréstimo a um amigo.

Entretanto, alguns com mais condições financeiras dizem que optam por adquirir um livro no seu formato tradicional para que possam ter o prazer de folhear as várias páginas, tocar e explorar o que o livro tem para lhes oferecer.

Apesar da oferta digital, o diretor-geral da Livraria Pedro Cardoso, João Spencer, disse, em declarações à Inforpress, que a afluência à livraria tem sido positiva e que ano após ano este tem estado a melhorar o seu desempenho, quer em venda, quer na edição de livros.

Contudo, a mesma fonte vai na mesma linha desses jovens e diz acreditar que muitas pessoas não lêem ou compram livros por razões económicas, ou seja, a falta de recursos é um dos factores que tem contributo para o não acesso ao livro por partes dos cabo-verdianos.

“As vezes organizamos feiras de livros nos municípios e cruzamos com pessoas que querem adquirir livros, mas por questões económicas não conseguem (…) e acima de tudo aqui em Cabo Verde há algumas restrições, (…) que acabam por encarecer os livros”, sublinhou.

Para a mesma fonte, enquanto se discute a questão da internacionalização da literatura, da tradução dos escritores cabo-verdianos, ainda há muita gente, por exemplo, no interior da ilha de Santiago, que não conseguem ter acesso ao livro.

Defendeu ainda que o país precisa de uma política do livro, na sua globalidade, de forma que as pessoas tenham mais acesso.

A livraria, informou, tem apostado na realização de feiras de livros, em parceria com as câmaras municipais, para que possam dar oportunidade às pessoas de outras ilhas, que não têm uma livraria, terem acesso ao livro a preços mais acessíveis.

João Spencer aproveitou para criticar o facto de a distribuição do livro para outras ilhas do arquipélago ser caro, o que acarreta os custos do livro.

“O transporte inter-ilhas é caríssimo. Para colocar livros nas ilhas de São Vicente ou Santo Antão pago quase o mesmo preço ou mais que paguei para trazer livros de Portugal. Assim fica difícil. Temos de pensar tudo, desde da distribuição e o acesso”, criticou.

Ciente das dificuldades das pessoas menos favorecidas terem acesso a livros, a Biblioteca Nacional, segundo a curadora Adelaide Monteiro, tem também apostado na realização de feiras de livros, com descontos.

“Há dois meses que estamos a colocar os livros sempre com alguma percentagem fora e há outros que ficam bem baratos. Temos livros por 200 escudos de bons autores, portanto as pessoas devem aparecer e aproveitar a oportunidade”, incitou.

Nas livrarias da Cidade da Praia os preços dos livros variam de 500 a 6000 mil escudos.

O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril e pretende promover o livro, os autores, os ilustradores e os editores.

Esta data foi escolhida com base na tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de S. Jorge, e recebem em troca um livro, testemunho das aventuras do heróico cavaleiro. Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare e Cervantes, falecidos em abril de 1616.

A data tem como objetivo reconhecer a importância e a utilidade dos livros, assim como incentivar hábitos de leitura na população. Os livros são um importante meio de transmissão de cultura e informação, e ainda, elementos fundamentais no processo educativo.


AM/AA
Inforpress/Fim

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