Dia do Professor Cabo-verdiano: “O que torna a profissão estimulante é saber que cada dia é um novo começo” – professora (c/áudio)

Cidade da Praia, 23 Abr (Inforpress) – A docente Silvina Andrade destacou hoje o papel que a classe tem desempenhado na melhoria de qualidade do ensino, confessando que ser professor é uma “missão nobre”, porque “cada dia de docência é diferente e cada ano um novo começo…”.

Silvina Andrade, que é também uma das finalistas do concurso “Prémio Professor Cabo-Verdiano” (PPROC) a ser anunciando no próximo dia 27 de Abril na cidade da Praia, falava em declarações à Inforpress no âmbito do Dia do Professor Cabo-verdiano que se comemora hoje.

Docente há 24 anos, Silvina Andrade conta que inicialmente ser professora não foi uma escolha à primeira vista, mas que ao concluir o curso pós-secundário, quando procurava o seu primeiro emprego, teve a oportunidade de começar a leccionar no ensino básico no concelho de Santa Cruz, uma chance que lhe é grata, porque, conforme sustentou, teve a oportunidade de descobrir que “ensinar é a sua verdadeira paixão”.

Formada em Ciências Naturais e pós-graduada em Saúde Pública, Silvina Andrade é professora no Liceu Domingos Ramos.

Conforme revelou à Inforpress, ensinar é uma profissão muito gratificante e motivador, isto tendo em conta que a educação é o motor de desenvolvimento de qualquer sociedade.

“Anteriormente não era essa a minha vocação. Eu queria ser médica, mas quando comecei a dar aulas gostei, e acabei por ficar até hoje. Sou apaixonada pela docência, gosto de ensinar e para mim ser professora é uma missão nobre, porque hoje em dia, com essa crise de valores que estamos a notar na nossa sociedade, acho que o papel do professor é fundamental para repor as coisas no eixo garantir o desenvolvimento do país”, realçou.

Nesses 24 anos de exercício de docência os ganhos que se tem registado a nível profissional são enormes, e isso, conforme sublinhou, a tem motivado no cumprimento das suas funções com amor e dedicação.

“A educação hoje em dia é diferente de antigamente, pelo que temos que saber como transmitir conhecimentos com enfoque na motivação do aluno, na criação de projectos inovadores. Cada dia é diferente, cada ano é um novo começo, a forma de ensinar nunca é igual e é isso que torna a profissão docente interessante”, declarou, ajuntando que a relação estabelecida com os alunos no decorrer dos anos encanta-a e motiva-a no exercício das suas funções.

Para esta docente, a criação e celebração do Dia do Professor Cabo-Verdiano serve de reflexão sobre o papel do professor nos tempos actuais, ajuntando que a data serve também para despertar uma maior valorização da profissão, que tem contribuído na elevação da qualidade do processo de ensino em Cabo Verde.

De acordo com esta responsável, tendo em conta as demandas que a profissão exige, a classe docente em Cabo Verde enfrenta vários constrangimentos, defendendo, neste quadro, a necessidade de se resolver a questão da promoção e progressão dos professores.

“Hoje em dia um dos constrangimentos que a classe enfrenta tem a ver com promoção e progressão na sua carreira, que estão praticamente parados. Os materiais didáticos precisam se adequar à nova realidade e desafios das novas tecnologias, o salário do professor está também aquém do trabalho que desempenhamos nas salas de aulas”, indicou.

Apontou, por outro lado, a unificação da classe como o maior desafio, afirmando que os professores têm que falar numa só voz para conseguirem alcançar todos os objectivos e resolver os problemas que os têm afectado.

Questionada como se sente sabendo que é uma das finalistas do concurso Prémio Professor Cabo-verdiano que irá representar a ilha de Santiago, disse que foi com muita alegria e sentido de responsabilidade que recebeu a notícia.

Conforme explicou, o seu projecto incide no aprender a ciência com arte e alegria, defendendo, neste sentido, que o processo de ensino e aprendizagem deve ser baseado em alegria, arte e orientação “porque saber ensinar é uma arte”.

“Caso ganhe o concurso pretendo implementar um plano de acção a nível nacional com destaque para promoção a igualdade de gênero, projectos para práticas agrícolas com cultura sem solo através de cultivo de produtos que irão enriquecer as refeições nas escolas e realização de várias actividades no âmbito da docência”, contou.

O projecto Leciona, que está ligado ao Museu de Educação, vai premiar os melhores professores cabo-verdianos, sobretudo aqueles que apostam na inovação dos métodos de ensino e a visa estimular a classe docente a fazer diferente.

A gala acontece no dia 27 de Abril, na Assembleia Nacional, Cidade da Praia.



CM/FP

Inforpress/Fim

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos