Dia da Rádio: Antigo jornalista vê “futuro brilhante” para este meio mesmo em tempos digitais

Mindelo, 13 Fev (Inforpress) – O antigo jornalista da Rádio Fernando Carrilho assegura existir um “futuro brilhante” para este meio de comunicação social mesmo nos novos tempos digitais, em que a audiência dependerá da credibilidade dos órgãos e dos jornalistas.

Fernando Carrilho, neste momento aposentado, mas mesmo assim ainda ligado a uma das suas “maiores paixões”, foi abordado pela Inforpress a propósito do Dia Mundial da Rádio, comemorado a 13 de Fevereiro.

Para este “radialista ferrenho”, o futuro deste media passa por acompanhar a realidade, a tecnologia e as exigências, que ficaram “claramente visíveis” durante a pandemia.

“A pandemia veio nos dizer que se pode trabalhar em casa, auscultar as fontes e emitir de casa e longe do local de trabalho”, considerou a mesma fonte, para quem, para além da interligação digital, as tecnologias trouxeram ferramentas para produzir e emitir à distância e “com qualidade”.

“O que contrasta literalmente com o nosso tempo, que era preciso andar com um gravador de 18 a 20 quilos nas costas, com uma caixa de pilhas numa mão e uma caixa de bobine na outra, portanto, a tarefa está facilitada e a Rádio tem um futuro brilhante”, defendeu.

Entretanto, ajuntou, importa reafirmar cada vez mais a filtragem feita pelos órgãos de comunicação, uma vez que “muita gente, que portando um smartphone, um Ipad ou Iphone já tenta ser um comunicador e fazer a vez de jornalista”.

“Aí é que está o problema e tem que entrar o factor deontológico para evitar aquilo que outrora nós chamávamos de pasquim, panfleto ou boato e que surge agora como fake news”, sublinhou Fernando Carrilho, com a ideia de se “respeitar escrupulosamente” a lei de imprensa e demais leis-mãe que regulam o sistema comunicacional.

E a audiência, considerou, também só poderá ser mantida com a credibilidade dos órgãos e dos jornalistas, que nele trabalham, que “têm uma função e uma missão”.

“Eu costumo dizer que o jornalista é uma espécie de polícia social, está atento ao bem-feito para noticiar e alerta ao malfeito para dar à estampa e o que importante agora é de um lado ter boas fontes”, sustentou o jornalista, apontando também “rigor, competência e `savoir faire´ como outros dos ingredientes.

No caso de Cabo Verde, defendeu Fernando Carrilho, importa preservar o “lugar especial” que o meio mantém e com “penetração muito forte”, à semelhança de outros países de África, onde existem zonas rurais onde jornais e o próprio sinal de telecomunicações não chegam.

E neste sentido, segundo a mesma fonte, a rádio é portadora de toda a informação de interesse público e que o público tem interesse em saber.

“De maneira, que é trabalhar para criar todos os mecanismos técnicos e de formação adequada para portar e levar toda a mensagem e sempre credibilizada e bem formada em várias frentes e fazer esse trabalho ser rigoroso, de informar, formar, educar e recriar”, exortou o radialista, que aconselha o uso das “ferramentas da modernidade”, como as redes sociais, para diversificar a informação, mas sempre dentro do rigor deontológico.

Por essas e outras razões, Fernando Carrilho vislumbra para sempre um lugar de destaque para a rádio e exemplifica retrocedendo aos tempos em que viveu na Holanda, um país de risco por estar abaixo dos níveis do mar e que mesmo tendo milhares de emissoras de rádio, em caso de catástrofe, todas emitem em cadeia para comunicar o plano de evacuação.

Portanto, a rádio está, segundo a mesma fonte, “condenada” a se afirmar cada vez mais pelo seu “imediatismo, facilidade de comunicação e dimensão social muito abrangente”.

“Há coisas que nunca acabam, podem ter momentos de crise para ser repensado e reprojectar, mas são inamovíveis e a rádio é uma dessas”, concluiu.

A rádio das Nações Unidas foi criada em 13 de Fevereiro de 1946 e data foi, portanto, uma escolha natural para celebrar esse meio de comunicação de massa.

O Dia Mundial do Rádio foi proclamado na Conferência Geral da UNESCO em 2011, seguindo uma proposta inicial da Espanha. Foi aprovada por unanimidade no ano seguinte pela Assembleia Geral das Nações Unidas, que o declarou um Dia Internacional da ONU.

LN/CP

Inforpress/Fim

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