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Dezenas de vendedeiras do mercado da Praia voltaram a concentrar-se à frente da Câmara Municipal 

Cidade da Praia, 12 Jan (Inforpress) – Dezenas de vendedeiras do mercado municipal da Praia concentraram-se hoje de novo à frente da edilidade local para manifestarem o seu descontentamento em relação alguns aspectos do regulamento que, segundo dizem, são lesivos às suas actividades.

Apoiadas pelo Sindicato da Indústria, Serviços, Comércio, Agricultura e Pesca (SISCAP), as vendedeiras permaneceram durante mais de quatro horas à frente da Câmara Municipal da Praia, empunhado cartazes onde se liam frase como “Ka nhos injurianu” (Não nos injuriem), “Cansadas de perseguição”, “Nhos dexa di abusu” (Deixem de abuso).

À saída do encontro com a vereadora Maria Aleluia, em que participaram também dois gestores do mercado municipal da Praia, o secretário permanente do SISCAP, Joaquim Tavares, mostrou-se “parcialmente satisfeito” com os resultados da reunião e disse à imprensa que aqueles responsáveis reconheceram “alguma fragilidade e distorção” na aplicação do referido regulamento.

“Prometeram, de imediato, introduzir algumas correcções, nomeadamente no que diz respeito à cobrança mesmo quando as vendedeiras não comparecerem para as vendas no mercado”, afirmou o sindicalista, citando exemplo de vendedeiras que, nesses dias que não estão a conseguir peixe, apesar disso, “são obrigadas a pagar”.

As vendedeiras exigem que lhes seja permitida entrar com os seus baldes no mercado, alegando que são as suas “pastas de trabalho à semelhança do que tem o presidente da Câmara Municipal da Praia ou qualquer outro ministro”.

Segundo Joaquim Tavares, “não faz sentido” que os fiscais do mercado retirem às vendedeiras os seus baldes nos quais transportam os seus utensílios de trabalho, como faca e tesouras para preparem os peixes.

“A vereadora garantiu-nos que vai repor a situação porque não é isto que consta do regulamento”, precisou o secretário permanente do SISCAP, a propósito da interdição da entrada dos baldes no mercado.

Para Joaquim Tavares, a força demonstrada pelas vendedeiras obrigou que as autoridades camarárias recebessem os seus representantes, “pois andámos de porta em porta a solicitar encontro para negociarmos e ninguém nos quis receber”.

“Consideramos que isto foi uma vitória e vamos estudar o regulamento que nos ofereceram para uma posterior proposta de revisão”, declarou Joaquim Tavares, alegando que, mesmo aprovado, o regulamento “pode sofrer alterações”, porque, diz, “a Constituição da República, que é mais importante, está sujeita a modificações”.

Tavares promete efectuar uma visita ao mercado da Praia para “constatar in loco” sobre o que está a passar no maior mercado de Santiago, uma vez que algumas vendedeiras se queixam da localização das casas de banho que as têm incomodado por causa do “cheiro nauseabundo”.

Por sua vez, a gestora do mercado, Patrícia Freire, garantiu aos jornalistas que o novo regulamento foi “socializado” com as vendedeiras e que a organização daquele espaço é “fundamental por causa da saúde”.

“A minha função é fazer cumprir o regulamento aprovado pela câmara e a postura municipal”.

A gestora disse que está disponível para rever algumas questões, nomeadamente relacionadas com as casas de banho, mas descartou a hipótese de rever o problema de entrada dos baldes.

LC/CP

Inforpress/Fim

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