PIB per capita cresceu em média 1,2% em dez anos de graduação para país de rendimento médio

Cidade da Praia, 23 Jan (Inforpress) – Em dez anos de graduação para país de rendimento médio, o PIB per capita de Cabo Verde cresceu em média 1,2%, tendo passado dos 3.378 dólares para 3.536 dólares anuais, conforme dados publicados pelo Banco Mundial.

O Produto Interno Bruto (PIB) per capita foi um dos critérios de avaliação instituídos para a graduação de Cabo Verde do grupo dos países menos avançados para país de rendimento médio, que juntamente com o índice de desenvolvimento humano (IDH), que congrega indicadores de educação e saúde, contribuíram para a graduação, posição assumida a partir de 01 de Janeiro de 2008.

Cabo Verde atingiu os necessários 3.000 dólares e transformou-se num país de rendimento médio. Essa graduação, que, entretanto, foi decidida em 2014 pelas Nações Unidas, traduziu-se num reconhecimento da comunidade internacional pelo “notável caminho” de desenvolvimento percorrido pelo país desde a sua independência.

No entanto, o país manteve a vulnerabilidade a nível ambiental e a nível económico e a acrescentar o país passou por vários constrangimentos estruturantes como a crise mundial, a seca e erupção vulcânica que, de acordo os governantes e analistas condicionaram fortemente o crescimento do PIB per capita.

Já no primeiro ano de graduação, o PIB per capita caiu de 3.378 dólares (2008) para 3300 (2009) e, a partir desse momento, teve crescimento muito ténue e até negativo, com a recuperação a efectivar-se partir de 2016, tendo no ano de 2017 registado um aumento de 2,5% e montante fixado em 3536,9 dólares anuais aproximadamente 276.946 escudos.

Outro realce tem a ver com o aumento da dívida pública que passou dos cerca de 80% em 2008 para cerca de 130% do PIB em 2017. Com a redução das ajudas externas e a fraca capacidade de mobilização dos recursos endógenos o Estado enveredou-se para dívida pública num cenário em que o dinheiro custa muito mais.

Para alguns analistas essa estagnação no crescimento do PIB per capita e o aumento da percentagem da dívida pública face ao PIB deveram-se à fraca dinâmica do crescimento económico que se associou às outras situações derivadas da crise e outros constrangimentos estruturantes como a seca.

O economista Amílcar Sousa adianta que o processo de transição talvez não tenha sido melhor gerido e afirmou mesmo que Cabo Verde devia retardar o processo de graduação, mobilizar a parte empresarial para ser mais robusta, garantir e a unificação do mercado interno e criar as condições para abrir a economia para o mundo.

“A classe política achou por bem avançar com a graduação num momento em que a economia não estava consolidada, ainda estava a aquecer e depois viemos ter as crises, uma série de outras situações que provaram que Cabo Verde não reunia todas as condições, pelo menos do lado empresarial, da pujança do mercado interno, da nossa capacidade de integração da economia mundial”, disse.

Amílcar Monteiro considera que, talvez, a estratégia adoptada pelas autoridades políticas não tenha funcionado, dado que na sua perspectiva se a mesma tivesse funcionado Cabo Verde estaria hoje muito mais adiantando em termos económicos.

Na mesma linha de ideia o economista Agnelo Sanches considera que o crescimento ténue do PIB per capita é uma situação que resultou do fraco crescimento do PIB, sobretudo no período 2011-2015, face ao aumento da população.

No que se refere ao endividamento José Agnelo Sanches considera que foi um endividamento necessário, indicando que o mesmo esteve voltado para o financiamento de infra-estruturas que hoje servem o país.

Contudo, defende uma nova dinâmica para que o país possa tirar maior proveito dos investimentos realizados, criando riqueza e mais rendimento às pessoas.

O Governo, por sua, vez adianta que as medidas estão a ser tomadas e perspectiva a duplicação do montante do PIB per capita no horizonte de 10 anos.

Nos últimos 10 anos o PIB cresceu em média 2,3% com taxas de crescimento anuais a oscilarem entre -1,3% em 2009 e 6,7% em 2008. Nos últimos dois anos a taxa de crescimento foi igual e superior a 4% depois uma fase de estagnação de quatro anos.

MJB/CP

Inforpress/Fim

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