Desenvolvimento de Cabo Verde é refém das doenças não transmissíveis – Director Nacional da Saúde

Cidade da Praia, 30 Jan (Inforpress) – O director Nacional da Saúde, Artur Correia, disse hoje que o desenvolvimento de Cabo Verde é refém das doenças não transmissíveis, avisando que o sector da saúde tem que ser capaz de mitigar este fenómeno.

Artur Correia falava à imprensa à margem da conferência sobre Abordagem STEPwise na vigilância dos factores de risco das doenças não transmissíveis na Região Africana da OMS, realizada hoje no âmbito da visita a Cabo Verde de uma missão de assistência técnica de um consultor da OMS, para trabalhar na preparação do II Inquérito às Doenças Crónicas Não-Transmissíveis (IDNT) 2019.

Segundo o director Nacional da Saúde, Cabo Verde considera as doenças não transmissíveis com as prioritárias no país. Aliás, disse, há no arquipélago dois “grandes desafios” em termos de saúde pública.

O primeiro, avançou, tem a ver com consolidar os ganhos que já se conseguiu em relação às doenças transmissíveis, onde, segundo referiu a mesma fonte, existem “desafios enormes” em relação à perspectiva de eliminação no horizonte 2020, nomeadamente do paludismo, da transmissão do VIH de mãe para filho, do sarampo, da rubéola e da pólio.

Já o segundo desafio está, de acordo com Artur Correia, relacionado com às doenças não transmissíveis, que são “as doenças do presente, do futuro próximo e do futuro longínquo de Cabo Verde”, “devido ao processo de desenvolvimento do país”.

Este responsável afirmou, igualmente, que o arquipélago está num “processo de transição epidemiológica e demográfica”, com populações cada vez mais idosas e que acarretam um conjunto de doenças não transmissíveis que, segundo pontuou, “felizmente, tem a ver com um grande potencial preventivo que essas doenças oferecem em Cabo Verde”.

Nisto tudo, defendeu, o papel do Ministério da Saúde e dos parceiros é, precisamente, mitigar o impacto que essas doenças terão no presente e no futuro.

“Esse que é o nosso desafio, mas são doenças próprias do desenvolvimento, portanto são doenças que predominam nos países desenvolvidos e Cabo Verde, nesse processo de desenvolvimento, não escapa à regra”, ajuntou.

Prosseguindo, Artur Correia defendeu que as autoridades sanitárias do país têm que estar preparadas para fazer face, não só às doenças em si, às diabetes, à hipertensão, às doenças do foro cardiovasculares, que, segundo informou, já são a principal causa de morte no país.

“Temos que fazer face também aos factores de risco dessas doenças que são, portanto, o tabagismo, o consumo exagerado do sal, das gorduras, doas açúcares, a diabetes também, não só como doenças, mas também como factor de risco das doenças cardiovasculares”, completou.

Conforme este responsável, o sector da saúde tem que saber liderar, envolver, sensibilizar e mobilizar todos os outros sectores que tenham um papel a dizer neste sentido.
“Esse é o nosso grande desafio. São doenças prioritárias para nós e este estudo, que nós encomendamos à OMS, se insere, precisamente, nesta perspectiva para sabermos onde é que estamos, com dados actualizados, e projectarmos então as metas próximas no horizonte 2021”, pontuou.

Em relação à prevenção e controlo dessas doenças, estão, segundo Artur Correia, na linha da frente, apostas no diagnóstico precoce, no tratamento, seguimento e reabilitação naquelas que provocam sequelas.

“Temos que aprimorar no sentido de um diagnóstico cada vez mais precoce”, avisou o director Nacional da Saúde, que também fala na aposta em equipamentos e medicamentos, os mais modernos possíveis, para uma abordagem “mais moderna possível” e que tenha efeitos melhores possíveis para a saúde das populações.

Em relação ao envelhecimento da população, Artur Correia defendeu, entre outros, uma melhor organização em termos de recursos humanos, de espaços nas estruturas da saúde, para fazer face à terceira idade e também em termos de mobilização de profissionais capazes.

GSF/JMV

Inforpress/Fim

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