Democracia está em perigo em todo o mundo, mas o Brasil tem instituições fortes – ex-PR

São Paulo, Brasil, 12 Nov (Inforpress) – O ex-Presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, admite que a democracia está em perigo, mas frisou que o Brasil tem instituições fortes e que a sociedade travaria uma deriva antidemocrática do novo Governo do país, liderado por Jair Bolsonaro.

“A democracia está em perigo em todas partes. Mas o Brasil tem instituições fortes, a sociedade é livre, a mídia é livre, a justiça é independente e o povo gosta da liberdade (…) não há um perigo específico do Brasil. Não acho que a eleição do Bolsonaro ponha em perigo [a democracia], até porque ele ganhou pelo voto”, disse o ex-Presidente, ao jornal espanhol El Pais.

“A democracia não é dada para sempre. Agora está em perigo porque as sociedades e as formas de relação entre as pessoas mudaram muito. Você tem que prestar atenção, pode acontecer uma mudança antidemocrática, mas nós devemos lutar para que isso não ocorra”, acrescentou.

Fazendo uma análise dos factores que levaram a eleição do candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro, conhecido por defender publicamente a ditadura militar, que deverá tomar posse a 01 de Janeiro, o antigo chefe de Estado avaliou que o apoio que recebeu não significa que exista uma tendência antidemocrática no país.

“[A eleição do Bolsonaro] expressa a ilusão de alguém que vem impor a ordem, seja como for, vai melhorar a situação. Não apostaram em alguém considerado, por quem votou nele, como antidemocrático, mas como alguém capaz de por fim a essa situação de desorganização”, afirmou.

Fernando Henrique Cardoso também defendeu que é preciso esperar a posse do novo Governo para fazer uma avaliação real do que irá acontecer no Brasil.

“Ele [Jair Bolsonaro] nem tomou posse. Deixa ele tomar posse, vamos ver o que ele vai fazer, se vai nomear gente boa. Governar é difícil. Quem nunca governou pensa que é fácil. Eu torço pelo Brasil dar certo. A media está levando o Presidente eleito a dizer que ele respeita a Constituição”.

“Isso é um mecanismo já de contenção, é importante. Para a política não importa o que ele pensa, importa o que ele vai fazer. As palavras só se transformam verdadeiramente em um risco quando elas viram ato”, concluiu.

Inforpress/Lusa

Fim

 

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