Deliberação sobre a concessão de terreno a Green Studio foi adoptada sem votos contra – vereador Rafael Fernandes

 

Cidade da Praia, 23 Nov.  (Inforpress) – O vereador do Urbanismo da CMP, Rafael Fernandes, esclareceu hoje que a deliberação que atribui 28 mil metros quadrados de terreno à empresa de audiovisuais Green Studio foi adoptada a 11 de Maio deste ano “sem nenhum voto contra”.

Segundo o vereador da Câmara Municipal da Praia (CMP), aquela deliberação contou com “13 votos a favor” dos eleitos municipais do Movimento para a Democracia (MpD-poder) e “sete abstenções” do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição).

Rafael Fernandes fez estas declarações em resposta às afirmações do presidente do PAICV da Região Sul de Santiago, Carlos Tavares, que, entre outros assuntos, acusou, esta quarta-feira, em conferência de imprensa, a Câmara Municipal da Praia de entregar um tracto  de terreno,  em Palha Sé (Praia),  a um privado “sem nenhum concurso público e sem  que exista nenhum interesse público relevante para a sua atribuição”.

Para Tavares, há indícios de que esta “dádiva” a Green Studio poderá estar enquadrada no âmbito da retribuição de uma “contrapartida por serviços outros que deviam ser assumidos numa outra sede”.

Segundo Rafael Fernandes, “normalmente o PAICV vota contra este tipo de deliberações”, mas desta vez preferiu abster-se.

“Estranhamente, seis meses depois surge uma conferência de imprensa bombástica, sem nenhum conteúdo e sem nenhuma prova, o que demonstra que alguém está distraído e desarticulado com a sua própria bancada”, sublinhou o vereador, numa referência a Carlos Tavares, acrescentando ainda que este é um problema que tem que ser resolvido no seio do PAICV.

Para Fernandes, aquela deliberação foi no sentido de trazer para a Praia um “projecto ambicioso” que consiste num “complexo televisivo, cinema e tecnologias de informação”.

“Estamos a falar de uma empresa de inovação tecnológica, com a possibilidade de pôr em Cabo Verde cinco canais de TV africanas, além de criar uma academia”, afirmou o vereador do Urbanismo da CMP que revela que o projecto “pode  criar dois mil postos de trabalho”.

Na sua perspectiva, o líder do partido “tambarina” na Região de Santiago Sul “está em contramão” como os eleitos do PAICV na Assembleia Municipal da Praia “que não votaram, contra o projecto da Green Studio”.

Assim, considerou “sem fundamentos e até levianas” as acusações de Carlos Tavares em relação ao terreno disponibilizado aos donos da empresa de audiovisuais.

De acordo com Rafael Fernandes, se houvesse alguma “tramoia” na concessão do referido terreno, a deliberação sobre este assunto “não teria sido publicada no Boletim Oficial”.

Convidou Carlo Tavares a pegar numa máquina e fazer os cálculos, porque, afirmou,  os dados que apresentou aos jornalistas “são falsos, falaciosos e só denotam maldade”.

O terreno, prossegue Rafael Fernandes, foi concedido para 75 anos e a Câmara Municipal negociou uma “antecipação da renda”.

“Ele (o dono da Green Studio) podia pagar a renda em 75 anos, mas negociámos para ser paga em 30 anos”, esclareceu o vereador, adiantando que nos primeiros 20 anos vão pagar “quase 24 mil contos” e os poucos mais de 19 mil contos em 10 anos.

Lamenta que os dirigentes do PAICV tenham estado a apontar as suas críticas a uma “empresa inovadora e com provas dadas” no mercado nacional.

Deixou ainda transparecer que o PAICV está a dirigir os seus ataques a Green Studio pelo facto de esta empresa “ter feito campanha eleitoral a favor do partido A, B ou C”.

O presidente do partido da “estrela negra” em Santiago Sul entende que à Green Studio foi concessionado terreno de Palha Sé por ter “produzido toda a campanha de comunicação do MpD nas campanhas eleitorais de 2016”.

Mas Rafael Fernandes recordou que a citada empresa de audiovisuais também já fez campanhas para o PAICV e outros partidos.

“Recentemente, foi realizado um fórum mundial em Cabo Verde  e foram envolvidas neste evento empresas que fizeram campanhas para outros partidos políticos”, exemplificou o vereador do Urbanismo.

Aquele responsável camarário prometeu que brevemente o projecto da Green Studio será apresentado e que nessa ocasião Carlos Tavares “será convidado para ver e inteirar-se do mesmo”.

LC/ZS

Inforpress/Fim

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