Deficiência: Cabo Verde precisa de uma legislação adequada e concertada – presidente da Colmeia (c/áudio)

Cidade da Praia, 29 Out (Inforpress) – A presidente da Associação de Pais e Amigos de Crianças e Jovens com Necessidades Especiais (Colmeia) defendeu hoje que Cabo Verde precisa de uma legislação adequada e concertada para dar respostas às pessoas com deficiência.

Isabel Moniz fez esta declaração à imprensa, à margem da I Conferência Internacional para Inclusão Social sob o lema “Deficiência no Centro da Atenção”, organizada pela Colmeia em parceria com o Governo, Organização Mundial da Saúde e entre outros parceiros e que visa debater questões relacionadas com a Inclusão social.

Com esta conferência, que decorre durante três dias na Assembleia Nacional, a associação pretende tirar as linhas orientadoras que possam no futuro traçar políticas públicas que vão de encontro às pessoas com deficiência.

“Nós precisamos em Cabo Verde duma legislação adequada e concertada, mas nós precisamos de estruturas a nível da saúde, de educação que trabalham com acessibilidade, ou seja, que a inclusão não seja só com nome, mas que ela seja implementada, porque nós ainda temos lacunas e falta de respostas”, indicou.

Conforme exemplificou, ainda existem crianças no interior da ilha de Santiago que não podem pagar consultas de reabilitação, há igualmente falta de comparticipação no sistema contributivo que não abrange as coberturas de terapia da fala e ainda existem profissionais ou especialistas da área que não estão enquadrados no sistema.

Para Isabel Moniz, se Cabo Verde não trabalhar no sentido de criar estruturas e serviços de apoio às pessoas com deficiência, de capacitar e aumentar os recursos humanos, e de ter dados estatísticos desagregados que possam dar respostas à esta população vão continuar com as mesmas dificuldades.

Neste sentido, a mesma fonte espera que no final deste encontro saiam recomendações e medidas que devem ser implementadas e que vão de encontro às necessidades das pessoas com deficiência.

Por sua vez, durante a cerimónia de abertura, o presidente da Federação Cabo-verdiana de Associações das Pessoas com Deficiência, António Pedro Melo, considerou que a inclusão em Cabo Verde ainda está no “mundo das ideias e não corresponde à letra”.

A seu ver, ainda o país está a dar os primeiros passos, pois os desafios são muitos e ainda há muitas lacunas acerca da inclusão que devem ser reparadas.

“Para que haja a inclusão tem que haver abertura da sociedade e do Estado, temos que fazer enormes investimentos a começar para as universidades que dão formação aos professores para terem ferramentas a nível comunicacional, a saúde é uma área extremamente importante porque sem a saúde não temos condições para seguir em frente”, indicou.

As questões da acessibilidade, da mobilidade e de outras áreas, para António Pedro Melo, necessitam de investimentos para que as pessoas com deficiência se sintam parte da nação cabo-verdiana.

AM/ZS

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos