Óbito/Teobaldo Virgínio: Cultura cabo-verdiana fica mais pobre – Presidente da República

Cidade da Praia, 05 Dez (Inforpress) – O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, lamentou hoje a morte de Teobaldo Virgínio, tendo considerado que a cultura cabo-verdiana, em especial a literatura, fica mais pobre com o seu desaparecimento físico.

Na sua nota de pesar, o chefe de Estado considerou que o País perdeu um poeta e romancista, mas, sobretudo, um “grande comunicador”, na esteira de outros intelectuais, como Manuel Lopes ou o seu irmão Luís Romano, que “ajudaram a compreender os destinos dos homens e mulheres de Cabo Verde, engrandecendo a sua cultura, no reforço do seu amor pela terra-mãe”.

Teobaldo Virgínio, segundo Jorge Carlos Fonseca, preocupava-se muito com a situação e os problemas do seu País e mesmo não tendo regressado fisicamente, Cabo Verde nunca saiu do coração deste escritor santantonense.

“Em São Vicente, São Nicolau, Angola e nos Estados Unidos, onde viveu ultimamente, Teobaldo Virgínio manteve-se sempre atento aos destinos das suas ilhas, colocando nos seus livros histórias da emigração, páginas do quotidiano dos seus conterrâneos, que haveriam de influenciar novas gerações de escritores”, afirmou.

Jorge Carlos Fonseca, que é também escritor e poeta, descreve Teobaldo Virgínio como uma figura que “encarnava o modelo do intelectual cabo-verdiano do seu tempo, um homem viajado, conhecedor do mundo, escritor e amante do seu torrão natal”.

Para a mesma fonte vai-se o poeta, mas fica as suas obras, a sua “voz fresca e o olhar apaixonado” pelas letras.

“Na prosa ou na poesia, o olhar atento e interessado de Teobaldo resultava na abordagem de temas sociais e políticos, trazendo pedaços de vida das ilhas, em forma de arte, numa cumplicidade com os destinos das suas personagens, construídas com emoção e guiadas pelo longo braço da esperança”, expressou.

A toda a família enlutada, o chefe do Estado, endereça as suas mais sentidas condolências.

O escritor Teobaldo Virgínio morreu na quinta-feira, 03, nos Estados Unidos da América, onde residia há várias décadas.

Natural da ilha de Santo Antão, Teobaldo Virgínio Nobre de Melo nasceu em 21 de Maio de 1924. Publicou o seu primeiro livro, Poemas cabo-verdianos, em 1960.

O escritor, que colaborou em Claridade, em boletins e suplementos literários, já publicou, em prosa e verso, 12 volumes, sendo os dois últimos em Março de 2010: “Folhas da Vida – poesia” e “Gaudêncio, o Filho Errante – prosa”.

Mas foi com Distância (1963) e Vida crioula (1967), novelas publicadas em Lisboa, que se tornaria numa referência literária cabo-verdiana.

Emigrante nos Estados Unidos continuou a publicar poemas e ficção, tendo sempre Cabo Verde e Santo Antão como fontes de inspiração.

AM/CP
Inforpress/Fim

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