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Crianças com Síndrome de Down carecem de mais amor, carinho e atenção – Pais

Cidade da Praia, 21 Mar (Inforpress) – Os pais das crianças com Síndrome de Down disseram hoje à Inforpress que os seus filhos são normais, como qualquer outra criança, mas por serem especiais, carecem de mais amor, carinho e atenção.

No Dia Internacional do Síndrome de Down, assinalado hoje, a Associação das Famílias e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down realizou um leque de actividades para assinalar a data como uma marcha de sensibilização, actividades culturais e recreativas, no Polivalente do Bairro Craveiro Lopes, na Cidade da Praia.

Durante esta actividade, algumas das crianças com Síndrome de Down tiveram a oportunidade de demonstrar o seu talento na música, na dança e na animação.

Entretanto, a Inforpress abordou algumas mães presentes no evento, que hoje queriam apenas ver os seus filhos a brincar e a conviver com todas as outras crianças.

Para elas, ver cenas do tipo é uma alegria e uma satisfação, porque perante as inúmeras dificuldades que enfrentam, que já são de conhecimento de todos, ser mãe, e precisamente mãe de uma criança com necessidade especial, é fazer-lhes sentirem-se felizes, dando-lhes mais amor.

“Ser mãe de uma criança com Síndrome de Dow temos de ter muita paciência, temos de dar muito carinho, amor e dar-lhes atenção que sempre merecem, todos os dias”, disse à Inforpress a mãe Isabel Correia.

Isabel Correia é mãe de uma jovem de 19 anos, que hoje devido a preconceito e bullying sofridos na escola, está triste por ver a sua filha em casa sem desenvolver o seu conhecimento.

Segundo contou, a sua filha tinha amor pela escola e gostava muito de estar ali, entretanto, devido aos sucessivos maus tratos por parte dos colegas no ensino público, decidiu largar os estudos.

A mesma disse que quando a sua filha frequentava a escola da ADEVIC, ela era bem tratada, evoluiu muito e melhorou o seu comportamento, mas infelizmente esta fechou as portas. “Eu, como mãe, gostaria de ver ela a continuar os seus estudos porque ela melhorou e muito, já sabia todas as letras que formam o seu nome, e vê-la, agora, em casa é uma tristeza”, lamentou.

Em termos de acesso à saúde, Isabel Correia disse que não tem tido problemas com isso, porque normalmente leva a sua filha para os Centros de Saúde e lá ela é sempre bem tratada.

A Inforpress abordou ainda a jovem Marlene Carvalho que há dois anos tem convivido com uma criança com Síndrome de Down.

Segundo disse, apesar de ter feito três ecografias durante a gravidez, foi só depois do nascimento do seu menino é que teve a notícia de que seria mãe de uma criança com necessidade especial.

“A médica perguntou-me se eu tinha algum histórico de Síndrome de Down na família e eu respondi que sim, que o meu primo tinha essa deficiência. Depois, ela disse que o meu filho era uma criança especial”, contou, recordando que logo no início ficou um pouco espantada com a notícia, mas depois de ter pegado o seu filho no colo, tudo mudou.

Para Marlene Carvalho, o seu filho é normal como todas as outras crianças, só que ele por ser especial, precisa de mais carinho, mais atenção e mais colo quando está agitado.

Devido às condições da família, disse à Inforpress que o seu menino não está ainda no ensino pré-escolar porque, neste momento, ela não trabalha. “Costumava vender na rua e levava o meu menino comigo, mas por esses dias tive de lagar a venda porque não dá para continuar a levá-lo, pois, ele fica sempre com problemas de respiração devido a poeiras na rua” explicou.

Mesmo sem condições de dar o melhor tratamento de saúde ao filho, esta mãe opta por levar o filho a consultas em clínicas particulares, uma vez que, segundo disse, no hospital ficam mais de um ano à espera de uma consulta.

Neste sentido, esta mãe apela a uma maior atenção e mais apoio às famílias com crianças com necessidades especiais.

Para a presidente da Associação das Pessoas com Síndrome de Down , Carla Varela, os sectores da saúde e da educação continuam a ser o “calcanhar de Aquiles” para as pessoas com esta deficiência no país, porque continuam a sofrer com “o mau atendimento nos hospitais” e com “a exclusão no estabelecimento escolar” mesmo estando inclusos.

Por sua vez, a directora-geral da Inclusão Social, Mónica Furtado, que esteve a presidir à cerimónia de abertura das actividades promovidas pela associação, assegurou que o ministério tem garantido o acesso à frequência dessas crianças ao ensino.

Para esta responsável, todas as escolas públicas têm que ter condições de acolher uma criança com necessidades especiais, porque não querem ver as crianças a serem isoladas por serem diferentes.

AM/ZS

Inforpress/Fim

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