CPI/TACV: A função do “gestor público era uma figura decorativa”, ex-PCA Daniel Livramento

 

Cidade da Praia, 16 Nov. (Inforpress) – O antigo gestor dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) Daniel Livramento revelou hoje que, em 1990, a função do “gestor público era uma figura decorativa” e que a sua gestão foi marcada pela interferência directa do partido/estado.

Administrador dos TACV de 1990 a 1991, Daniel Livramento fez estas denúncias durante as primeiras audições parlamentares, no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os TACV, iniciada hoje com os antigos gestores da companhia aérea nacional, tendo ressalvado que gestores da época não passavam de “simples paus-mandados do PAICV, que mandava na empresa”.

“Os gestores dos TACV na altura não tinham vozes, nem tinham rigorosamente nada. Todas as instruções emanadas eram vindas do partido que estava no poder mais o Governo. A entrada e saída, linhas aéreas, tudo era vindo do PAICV e do seu Governo”, atestou.

Disse que não deixou rigorosamente nada e que “havia coisas que não se podia passar do limite”, tendo sublinhado que deixou o cargo por incompatibilidade com o secretário de Estado, na época.

Alega que nessa altura já havia vozes discordantes do seu conselho de administração em relação a assuntos referentes a contratos dos aviões CASA e LAM e com o aparelho que fazia a ligação com Boston (EUA), mas que nunca foram ouvidos, alegando que todo o processo “era segredo do Estado”.

Considera que o Governo da época falhou na compra do avião CASA, por entender tratar-se de um aparelho militar e sem quaisquer condições para voos comerciais, de passageiros, mas que “o executivo do PAICV tinha a sua aposição vincada”.

A título de exemplo, explicou que enquanto o conselho de administração suspendeu o voo de Boston, porque era altamente deficitário, com prejuízos incontornáveis na ordem dos cinco mil contos por voo, volvidos 24 horas foi obrigado pelo Governo a manter esta linha, com todos os prejuízos irrecuperáveis.

Considera que na altura os gestores não tinham estatuto de gestores públicos nem autonomia de gestão contrariamente aos métodos actuais, que passa pela obrigação de prestação de contas e do relatório junto do Tribunal de Contas.

Iniciadas com o antigo administrador Alfredo Carvalho, as audições prosseguem esta sexta-feira com o antigo secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, António dos Santos, seguida do ex-ministro da Economia, Transportes e Comunicações, Manuel Casimiro Chantre.

SR/ZS

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos