Covid-19: União Africana defende levantamento de patentes sobre vacinas e incentiva produção continental

Nova Iorque, 22 Set (Inforpress) – O presidente da União Africana, o chefe de Estado da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, defendeu a remoção das patentes sobre as vacinas contra a covid-19 para contrariar os atrasos na produção e distribuição de imunização no continente africano.

Félix Tshisekedi falava numa conferência virtual organizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, um dos eventos paralelos à semana de alto nível da Organização das Nações Unidas (ONU), que se realiza em Nova Iorque.

O actual presidente da União Africana (UA) sublinhou que, com uma população de cerca de 1,3 mil milhões de pessoas, a África beneficiou de algumas centenas de milhões de doses, que cobriram apenas 3% da população do continente.

Tshisekedi salientou uma “obrigação moral” dos países ricos de “transferir tecnologia e de levantar patentes” para permitir que países africanos produzam vacinas localmente, já que alguns dos problemas mais conhecidos são dificuldades de armazenamento das doses, que por vezes perdem a sua validade ou qualidade.

“O atraso no acesso universal à vacina vai reforçar o aparecimento da terceira vaga na África”, o que poderá ter consequências “devastadoras”, alertou o Presidente da República Democrática do Congo.

“A visão africana é de ter 60% das nossas vacinas produzidas no continente africano”, declarou ainda Tshisekedi, referindo que actualmente as vacinas importadas representam 99% das doses que são aplicadas em África.

A directora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, também referiu que 80% da produção de vacinas está concentrada em apenas dez países e defendeu ser necessário “aumentar e descentralizar a produção”.

Além da descentralização na produção, a responsável da OMC incentivou a comunidade internacional a “convencer países desenvolvidos a mandar vacinas aos menos desenvolvidos”, nomeadamente através do mecanismo Covax, iniciativa da Organização Mundial de Saúde, e a “mudar contratos para que os países que estejam no fim da fila possam receber vacinas rapidamente”.

O administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Achim Steiner, citou dados do Banco Mundial que apontam que África necessita de cerca de 12,5 mil milhões de dólares para poder vacinar 70% da sua população.

Steiner declarou que “vacinas atrasadas significa desenvolvimento atrasado” e lamentou que apesar de ser reconhecida a necessidade de “campanhas maciças de vacinação”, o progresso é “muito desigual” entre os países, em detrimento do continente africano.

“Enquanto alguns países têm mais vacinas do que população, os países da África foram deixados para trás”, considerou o administrador do PNUD.

“Se nós não resolvermos o problema da desigualdade só para África, isso vai custar ao mundo 2,3 biliões de dólares, com perdas enormes em termos de empregos, reduzindo o espaço fiscal nos orçamentos nacionais e reduzindo a habilidade de conseguir saúde e educação”, sublinhou ainda Achim Steiner.

A covid-19 provocou pelo menos 4.696.559 mortes em todo o mundo, entre mais de 229,01 milhões de infecções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Segundo a mesma agência, a África já registou 206.362 mortes pela covid-19, num total de 8.175.186 infectados.

Inforpress/Lusa

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