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Covid-19: Temos que melhorar a segurança alimentar e sanitária dos alimentos em África – Representante regional da FAO

Mindelo, 08 Abr (Inforpress) – O director-geral adjunto e representante regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para África disse que é hora de melhorar a segurança alimentar e sanitária dos alimentos e a nutrição em África.

Através de um artigo de opinião, Abebe Haile-Gabriel defendeu que é o momento de mostrar a verdadeira solidariedade africana, apelando aos países para que tomem medidas urgentes para diminuir o impacto nos sistemas alimentares e em todas as dimensões da segurança alimentar e da nutrição, devido ao encerramento das fronteiras e das comunidades para reduzir os impactos da Covid-19.

Abebe Haile-Gabriel lembrou que a Visão Conjunta Regional da Segurança Alimentar e da Nutrição em África de 2019 da FAO mostrou que há 256 milhões de africanos, ou seja, 20 por cento (%) da população, que estão subnutridos. Destes, referiu, 239 milhões situam-se na África Subsariana.

O mesmo acrescentou que, de acordo com o Sistema Global de Informação e de Alerta Rápido da FAO, 34 dos 44 países que actualmente necessitam de ajuda alimentar externa para a alimentação estão na África.

“Estes números mostram que já éramos vulneráveis antes do Covid-19. Se não tomarmos medidas que se impõem, corremos o risco de entrar numa crise alimentar muito em breve. As medidas não incluem o pânico e, por conseguinte, o pânico não é um método para atenuar os riscos”, escreveu o representante da FAO para a África.

O responsável lembrou que há alimentos suficientes para todos os africanos, pelo que, “não se pode repetir os erros” cometidos, durante a crise alimentar de 2007-2008, e “transformar esta crise sanitária numa crise alimentar perfeitamente evitável”.

Abebe Haile-Gabriel recordou que outra dura lição a retirar é a do surto do Ébola em 2014-16 em que as medidas de quarentena e o pânico fizeram aumentar os níveis de fome e de subnutrição.

“O sofrimento agravou-se à medida que as restrições à circulação levaram à escassez de mão-de-obra na altura da colheita e muitos agricultores não conseguiram colocar os seus produtos no mercado”, disse.

O mesmo explicou que a agricultura é a única fonte de subsistência de centenas de milhões de africanos e pediu “medidas rápidas” para assegurar que as cadeias de abastecimento alimentar continuem a funcionar.

Isto, sustentou, para “mitigar o risco de grandes choques que teriam um impacto considerável sobre todos, especialmente sobre os pobres e os mais vulneráveis”.

Por outro lado, lembrou que os grupos vulneráveis, como os pequenos agricultores, pastores e pescadores não podem trabalhar as suas terras, cuidar do gado ou pescar.

Abebe Haile-Gabriel também defendeu que os trabalhadores informais enfrentam perdas de emprego e de rendimento na colheita e na transformação e milhões de crianças não estão a frequentar as escolas e estão sem acesso às refeições escolares.

Segundo o responsável, outra preocupação são as crises humanitárias provocadas por conflitos que continuam a ser a principal causa dos elevados níveis de insegurança alimentar grave, para além da seca, das inundações e de outros choques que agravaram as condições de insegurança alimentar.

“No Corno de África, vários países enfrentam a pior crise provocada por gafanhotos do deserto dos últimos 25 anos. Mais de 20 milhões de pessoas já enfrentam uma grave insegurança alimentar aguda, e a invasão de gafanhotos e a pandemia irão aumentar ainda mais este número”, exemplificou.

No entanto, garantiu que no meio desta crise, as equipas da FAO estão a trabalhar com os países para antecipar e mitigar o impacto da pandemia na segurança alimentar e nos meios de existência.

CD/JMV

Inforpress/Fim

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