Covid-19/São Vicente: Produtor de queijos chama atenção para “situação difícil” dos criadores de gado na ilha

Mindelo, 15 Abr (Inforpress) – O produtor dos queijos Ojuara, Carlos Araújo, chamou hoje a atenção das autoridades para com os criadores de gado de São Vicente, que vivem uma “situação difícil” neste momento sem poderem escoar o leite que produzem.

Carlos Araújo, em entrevista à Inforpress, fez primeiramente uma comparação com algum tempo atrás, em que o leite que comprava de criadores de diversas zonas agrícolas da ilha, o permitia fazer e vender mais de 150 queijos por dia, mas actualmente não consegue vender mais do que 40.

Sendo assim, com esse decréscimo de vendas, segundo a mesma fonte, a Quinta Ojuara sentiu a necessidade de diminuir a quantidade de leite comprado, que passou de 300 litros para apenas 100.

“Até bem pouco tempo continuava a comprar esse leite e acumulava o prejuízo para ajudar os criadores, mas agora não consigo mais. Com isso, os criadores estão numa situação difícil com as perdas, porque era com esse dinheiro que viviam e os permitia comprar ração para os próprios animais”, lançou o produtor.

Carlos Araújo disse ter tentado encontrar uma solução com a produção de leite pasteurizado, mas que não teve uma boa aceitação.

“Tentei colocar o produto no mercado, mas o mercado está fechado e cheio de medo, que nem conseguia fazer a publicidade do leite nos próprios supermercados onde o coloquei. Então vi que o leite que deveria ser consumido pelo menos em três dias, acabava esquecido nas prateleiras”, assinalou.

Por outro, ajuntou, falta informação até para se conseguir fazer doações, que poderiam ser “em parte” custeadas pelas autoridades.

“A câmara municipal poderia intervir para que se pudesse, por exemplo, doar esse leite já que as cabras e as vacas não deixaram de o produzir, mas não podemos arcar com todas as despesas. Poderíamos ajudar, desde que alguém custeasse parte das despesas”, explicou Carlos Araújo, para quem é preciso haver “melhor informação e organização” das ajudas prestadas pelas autoridades.

O produtor também defendeu, neste “momento de crise”, a aposta e valorização dos produtos nacionais, que, a seu ver, vão ajudar a reerguer a economia do País.

“Aqui em Cabo Verde podemos produzir pouco, mas muita gente a produzir pouco torna-se muito, por isso seria muito bom se valorizássemos a economia local”, salientou a mesma fonte, apostando nesta medida para a retoma depois da pandemia.

Sendo assim, Carlos Araújo disse estar a pensar recorrer à Câmara de Comércio de Barlavento para “tentar entender ainda mais a situação e encontrar uma solução”, já que, conforme a mesma fonte, tem sido apresentado “algumas medidas de contenção, mas ouvindo somente os economistas, em vez das pessoas que estão no terreno todos os dias”.

“Isto, porque o problema vai ser o depois em que todos teremos de ajudar, dar as mãos e lutar contra essa crise, sobretudo com espírito de solidariedade”, concretizou.

Cabo Verde cumpre hoje 18 dias, de 20 previstos, de estado de emergência para conter a pandemia provocada pelo novo coronavírus, com a população obrigada ao dever geral de recolhimento, com limitações aos movimentos, empresas não essenciais fechadas e todas as ligações interilhas e para o exterior suspensas.

O País regista até então 11 casos confirmados, sendo um em São Vicente, três na cidade da Praia e sete na Boa Vista, entre os quais um óbito, um cidadão inglês de 62 anos, que se encontrava de férias na ilha.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou 123.920 mortes e infectou quase dois milhões em todo o mundo desde Dezembro, segundo um balanço da agência AFP, às 19:00 GMT de hoje, baseado em fontes oficiais dos países.

De acordo com os dados recolhidos pela agência noticiosa francesa, até às 19:00 GMT (18:00 em Cabo Verde) 1.961.950 casos de infecção foram oficialmente diagnosticados em 193 países e territórios desde o início da epidemia, em Dezembro passado, na China.

Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

LN/ZS

Inforpress/Fim

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