Covid-19/São Vicente: ICCA assegura não ter dados suficientes que permitam saber efeitos da pandemia nos direitos das crianças

Mindelo, 01 Jun (Inforpress) – A delegação do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), no Mindelo, confirma não ter dados suficientes que permitam saber os efeitos que a covid-19 possam estar tendo na violação dos direitos das crianças.

Conforme o delegado do ICCA, Jandir Oliveira, esta imprecisão verifica-se uma vez que o trabalho presencial nas instituições em São Vicente só ter sido retomado, depois do estado de emergência, a 04 de Maio.

“Ainda não temos dados suficientes que nos permitam analisar os efeitos que essa pandemia da covid-19 possa estar tendo relativamente a violação dos direitos das crianças”, sublinhou a mesma fonte à Inforpress.

Entretanto, reparou-se sim, ajuntou, num aumento de pessoas dirigindo-se ao ICCA para falar de suas dificuldades em deixar as crianças em casa para irem trabalhar, tendo em conta que as escolas, jardins e creches se encontram encerrados.

“O que temos vindo a fazer é orientar essas pessoas no sentido de procurarem o apoio de outros familiares e de criarem uma rede comunitária para cuidarem das suas crianças”, disse Jandir Oliveira, adiantando que, durante o estado de emergência, o instituto recebeu três denúncias, duas relacionadas com abuso sexual e uma de abandono, e para as quais tiveram apoios da Polícia Nacional (PN) e da Polícia Judiciária (PJ) na averiguação dos mesmos, estando “todos já resolvidos”, asseverou.

Questionado, o delegado do ICCA referiu ainda a apoios de outras instituições, que receia que o instituto possa perder devido a quebras de rendimento das pessoas e das empresas, com a covid-19.

“Mas, vamos torcer que mesmo neste período de crise as pessoas continuem a ser solidárias como tem sido com a nossa instituição”, reiterou o responsável, que mencionou ainda as medidas tomadas internamente para a segurança sanitária dos colaboradores e das crianças dos dois centros geridos pela instituição, o Centro de Emergência Infantil e Centro Juvenil Nhô Djunga.

Os dois centros, que albergam ao todo 25 crianças e adolescentes, entre os 03 e os 17 anos, foram assistidos durante o período de confinamento por duas equipas divididas, que estiveram por cerca de 15 dias cada, e ainda suportados por uma terceira turma constituída pelo delegado, dois outros responsáveis e outros técnicos.

“Foi uma experiência interessante e avaliada por todos que participaram de positivo”, asseverou Jandir Oliveira, referindo igualmente ao comportamento exemplar do público que se tem dirigido ao ICCA respeitando as regras de distanciamento e uso de máscaras.

“No tocante ao grupo de crianças acolhidas é sempre mais difícil manter um distanciamento físico, pois estão acostumados a brincar e estarem juntos. Mas o bom é que elas têm tido pouco acesso ao exterior desde o mês Março”, lançou.

Jandir Oliveira lamentou, por outro lado, o facto que, com as restrições impostas pela covid-19, este ano não se possa comemorar o mês da criança com desfiles, passeatas, jogos, sensibilizações comunitárias como tem sido feito nos anos anteriores.

Porém, o dia 1 de Junho, assinalado hoje, vai se será marcado com uma “actividade muito especial”, em que as 25 crianças dos centros irão apresentar para os 38 colaboradores do ICCA, em São Vicente e alguns de seus filhos o “Festival Fka na Centro e Apresentá bo Talento” (Festival fica no centro e apresenta o teu talento, em português).

Um evento, que pretende juntar música, dança, poesia, desfile de moda de roupas confeccionadas e preparadas pelas próprias crianças durante o estado de emergência.

“Portanto, será um dia bem divertido para eles”, defendeu Jandir Oliveira, para quem apesar da pandemia da covid 19, as crianças continuam a ter os seus direitos e precisam ser cuidadas, “porque tudo isso irá passar já”.

LN/CP

Inforpress/Fim

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