Covid-19/São Vicente: Escolas de condução constatam decréscimo de novas inscrições e anseiam por dias melhores

Mindelo, 28 Mai (Inforpress) – Algumas escolas de condução, em São Vicente, registaram uma “baixa considerável” em novas inscrições devido a receio dos utentes em frequentar aulas, mas, entretanto, esperançadas, aguardam por dias melhores e que tudo volte ao normal.

Todas a escolas de condução, no Mindelo, estiveram encerradas durante o período de estado de emergência e retomaram o funcionamento agora em inícios de Maio, mas com uma realidade “bem diferente”.

Quem o confirmou à Inforpress foi Celestino Morais, proprietário da Escola de Condução Morais e Graça, que disse ter tido “algumas dificuldades” no período de confinamento, tendo em conta os encargos com a banca, o senhorio e os funcionários, e que o obrigaram a recorrer à lei do `lay-off´.

Conforme contou, ao regressar teve que aplicar as medidas estipuladas por lei e pela Direcção-geral dos Transportes Rodoviários (DGTR), como  a disponibilização de álcool gel para higienização, uso de máscaras nas aulas e ainda redução das salas a 50 por cento (%).

“Mas, antes da paragem já tínhamos o nosso plano interno de contingência já efectivado, o que nos facilitou muito”, assegurou Celestino Morais, adiantando um número de cerca de 30 alunos nas aulas teóricas e 15 nas aulas práticas.

Mesmo assim, segundo a mesma fonte, as perdas são “bem visíveis”, derivadas de mais de um mês de paralisação e ainda sem novas inscrições, que normalmente tinham por esta altura.

“E com esse prejuízo até nem conseguíamos ajudar os alunos, que neste momento reclamam de algum retrocesso e que dizem precisar de aulas extras”, reiterou o proprietário, que se resguarda pelo facto da empresa, com delegações em São Vicente e São Nicolau, só existir há três anos.

O proprietário da Escola Económica, António de Pina, por seu lado, confirmou também estar a seguir as orientações da DGTR com os 15 alunos que tem neste momento, mas registando a mesma redução no número de novos inscritos, embora até tenha uma promoção a decorrer.

“Isso tudo fica mais difícil e ainda por cima temos que prolongar os contratos feitos com os alunos, já que não tem culpa de não ter tido aulas no período da paralização”, sublinhou António de Pina, adiantando não ter recorrido ao `lay-off´ e ter feito um “esforço” para sustentar as suas despesas.

O mesmo cenário repete-se na Escola de Condução Gomes, e que, segundo Lenine Gomes, deve-se ao facto de as pessoas estarem com um “pé atrás” em frequentar as aulas e até de como utilizar o seu dinheiro nestes “tempos difíceis”.

“Com a pandemia da covid-19 tudo fico incerto e então as pessoas que têm as suas economias reservem-nas para os bens de primeira necessidade, a carta de condução fica para terceiro, quarto ou quinto lugar”, concretizou.

Lenine Gomes disse estar a insistir na manutenção da escola devido ao “valor sentimental” que esta tem para ele, já que cresceu dentro dela e vendo o pai sacrificar a sua vida por esse “bem da família”.

“É só pelo valor sentimental, porque se fosse pelos lucros já teria desistido”, disse a mesma fonte,

Mesmo assim, ajuntou, procura não se alarmar muito e ter, “como bom cabo-verdiano”, a esperança que virão “dias melhores”.

Por esta mesma razão, o proprietário, director e instrutor da Escola de Condução Gomes também decidiu não recorrer aos apoios do Estado, por enquanto, e tentar se desenrascar.

“Mas, se as coisas apertarem e piorarem talvez tenha mesmo que o fazer”, sustentou Lenine Gomes, esperando que tudo “volte ao normal brevemente”, assim como António de Pina e Celestino Morais.

Cabo Verde mantém-se, até esta quarta-feira, com 390 casos activos, sendo 155 recuperados e quatro óbitos, com 347 pessoas em quarentena, a maioria na Cidade da Praia.

A pandemia do novo coronavírus já matou 352.494 pessoas e infectou mais de 5,6 milhões em todo o mundo desde dezembro, segundo um balanço da agência AFP feito nesta quarta-feira e baseado em dados oficiais dos países.

LN/AA

Inforpress/Fim

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