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Covid-19/Ilha do Sal: Guias turísticos vivem drama de um destino deserto sem turistas (c/áudio)

Espargos, 13 Nov. (Inforpress) – Os guias turísticos, na ilha do Sal, vivem hoje o drama de um destino turístico deserto, sem turistas, aguentando as dificuldades e não acreditam na retoma tão cedo, mesmo com a abertura dos voos prevista para Dezembro.

Na sua maioria profissionais liberais, os guias turísticas encontram-se, actualmente, no desemprego, sem rendimentos para sustento das famílias e para honrar seus compromissos, dada à situação provocada pela crise da covid-19 que assola o mundo e o País não foge à regra.

A crise que apanhou todo o mundo desprevenido levou esses profissionais a um “ataque de nervos” já que desamparados, dado o “despovoamento” de turistas na ilha, e não terem sido abrangidos pelo ‘lay off’, à semelhança de outros profissionais afectos, por exemplo, às unidades hoteleiras.

Elvis Cruz, um dos guias nesta situação, conta em entrevista à Inforpress, que cada um se vira como puder.

Mantendo-se sempre em contacto com os colegas, Elvis Cruz diz que todos os guias estão em “suspense”, não fazendo fé na retoma do turismo no País, conforme previsões, tendo em conta a situação real na Europa, os principais países emissores.

“A fronteira pode estar aberta, mas é conta de nada. É como ter uma casa farta, cheio de comida para oferecer, mas se lá dentro estiver um leão solto, ninguém vai entrar”, referiu, para descrever o drama que se vive actualmente.

“Tem sido tempos difíceis. E com a situação que está na Europa os turistas não virão tão cedo para Cabo Verde”, depreende, ciente de que tanto ele como os companheiros terão que procurar outro meio de sobrevivência.

Tendo sido, talvez a classe mais afectada com a interrupção do turismo devido à pandemia, Elvis Cruz que tem empresa criada no regime das REMPE conta que, no seu caso concreto, vai se safando com a venda de alguma verdura, vindo de São Nicolau, e do peixe que vai pescar.

“A maior parte dos meus colegas não teve apoio do Governo… pelo que, com alguma criatividade e força de vontade, vão driblando a crise, reinventando, improvisando para escapar o dia-a-dia e sustentar a família”, exteriorizou.

Referiu que a única coisa que aconteceu a favor dos guias nessa presente conjuntura, foi uma formação/reciclagem dos profissionais da classe, mediante uma bolsa de formação, promovida pela Escola de Hotelaria e Turismo em parceria com o IEFP.

A formação que deverá terminar no dia 29 deste mês tem como propósito reforçar as boas práticas na prevenção da covid-19, com o intuito de criar condições essenciais para a retoma das actividades turísticas em segurança e melhorar a prestação de serviço e narrativa sobre a ilha.

Considerando os impactos da crise, Elvis Cruz percebe, contudo, que todas as coisas têm o seu lado positivo, referindo que a pandemia veio ensinar as pessoas a dar valor à vida, a economizarem e a saberem lidar com pouco.

“Aprende-se a redirecionar prioridades, a estabelecer limites. Se se tinha planos para adquirir um carro novo… agora o investimento é só na barriga, levar um pão de cada dia à mesa, honrar os compromissos com renda, luz e água ”, ponderou, sem fazer contas à vida, já que os próximos tempos são de incerteza.

Zilena Silva é outra guia turística que, também, de noite para o dia se viu no desemprego.

Com a situação da pandemia, disse que vai ‘deslindando’ os dias a vender verduras, hortaliças e dedicando-se à criação de animais para não faltar nada em casa e aos seus dois filhos.

“A conjuntura é verdadeiramente complicada. Estamos esperançados na retoma do nosso trabalho enquanto guias turísticos, com a abertura dos voos, mas de forma muito tímida”, considerou, prognosticando a retoma do turismo “talvez”, no Verão de 2021, “isso se se descobrir a vacina e se começar a vacinação das pessoas, em Janeiro, segundo informações.

“Estamos a viver um drama. Não há uma previsão, o Governo não fala com clareza, ora diz uma coisa ora diz outra (…)”, exteriorizou.

Esta classe profissional deseja ter um encontro com o Governo para esclarecimentos sobre a retoma de turismo “sem enganos nem rodeios”.

Estima-se que a ilha do Sal, a mais turística do País, tem à volta de 70 guias, os quais reclamam por uma associação, que já existiu, mas que, entretanto, está inactiva há muito tempo.

SC/HF

Inforpress/Fim

 

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