Covid-19: Facturação da restauração cai cerca de 70% – empresários

Cidade da Praia, 10 Set (Inforpress) – Um grupo de empresários da restauração na Cidade da Praia, revelou à Inforpress que a facturação no sector caiu uma média de 70% no período das férias do Verão, com a ausência dos emigrantes e turistas.

De acordo com Zeca Barros, proprietário do restaurante Kebra Cabana, a facturação neste período, em relação aos anos transactos, teve cerca de 70% de perda.

Essa carência tem sido notada ao longos dos anos, porque os restaurantes na Praia facturam “mais” com a vinda dos emigrantes e turistas, sendo que esse ano, devido a situação da pandemia da covid-19, não puderam vir de férias.

Entretanto, disse que a pandemia só veio agravar a situação, pois o seu estabelecimento teve “grande perda”, uma vez que as restrições impostas devido à covid-19, levou a diminuição da capacidade de recepção dos clientes para até um terço e que os mesmos, por precaução, não estão a frequentar estes espaços.

“Na Cidade da Praia, são poucos que conseguem facturar, e esse ano não teve a afluência de emigrantes. Aqui na Kebra Cabana, não vi emigrantes”, explanou Zeca Barros, realçando que uma vez ou outra recebem alguns turistas.

Em relação ao horário de encerramento dos estabelecimentos de restauração, o proprietário afirmou que “há muito tempo” que o horário está a “prejudicar” a economia da empresa, devido ao conjunto de leis criadas, nomeadamente, código de postura, lei do álcool e poluição sonora, consideradas importantes, mas que ao seu ver, devia ser levado em consideração as casas noturnas, que são o ponto atractivo, sobretudo, dos turistas e jovens.

Por seu lado, Eunice Mascarenhas, proprietária do estabelecimento Nice Crioula, lembra que um dos sectores fundamentais do turismo é a restauração, porque movimenta todos os eventos e, neste momento, segundo ela, com o fecho das fronteiras, não existe turismo.

Na ilha de Santiago, esta altura do ano, segundo a empresária, é o “apogeu” em termos do turismo étnico com os emigrantes que, “infelizmente”, este ano não puderam visitar seu País, por isso, o sector está “relativamente em baixo”.

“Os próprios consumidores sentem receio em frequentar alguns lugares, devido ao aumento de casos diários de covid-19, e isso inibe as pessoas de visitarem os restaurantes”, afirmou Eunice Mascarenhas.

No que diz respeito ao horário, a empresária alega que o hábito do consumo na ilha de Santiago é “mais tardio” em termos de servir o jantar, portanto o horário estipulado “dificulta”, porque os clientes ainda não conseguem “habituar-se” com este novo horário, já que o jantar tem de sair “mais cedo” do que o habitual.

Neste momento, está-se a facturar menos de 30% do que nos anos anteriores, disse, salientando que é um” impacto enorme” para a tesouraria das empresas, uma vez que têm custos, nomeadamente com a água, energia, salário dos funcionários e materiais de higienização.

Por sua vez, Walter Gomes, proprietário do estabelecimento Alkimist, afirmou que a sua facturação caiu 70% em relação aos anos anteriores, fazendo com que o movimento seja “bastante fraco”.

“Não dá para pagar todas as despesas, os funcionários, energia, água e renda. Há meses que até o pagamento dos funcionários sai atrasado, porque não há facturamento para cobrir todas as despesas”, lamentou o empresário.

No que se refere ao horário, Walter assegurou que estão a cumprir com o estipulado na lei.

Os últimos dados divulgados pelas autoridades sanitárias apontam que Cabo Verde tem, neste momento, um total 43 óbitos e 4.473 casos positivos acumulados, sendo que a maioria regista-se no concelho da Praia, ou seja, 2.684.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 900 mil mortos e infectou mais de 27,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

TC/DR//CP

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos