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Tráfico de pessoas: Directora executiva do UNODC diz que a pandemia aumentou as vulnerabilidades ao tráfico de pessoas

Cidade da Praia, 30 Jul (Inforpress) – A directora executiva do UNODC, Ghada Waly, considera que a pandemia “aumentou as vulnerabilidades” ao tráfico de pessoas, tornando o crime ainda “mais difícil” de detectar, deixando as vítimas lutando para obter ajuda e acesso à justiça.

No dia em que se comemora o Dia Mundial Contra o Tráfico de Seres Humanos, Ghada Waly destaca a importância um novo estudo divulgado recentemente pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) que ilustra o impacto “devastador” da covid-19 sobre as vítimas e sobreviventes do tráfico humano e destaca o aumento da focalização e exploração de crianças.

“Este estudo é um novo e importante recurso para formuladores de políticas e profissionais da justiça criminal, pois examina estratégias bem-sucedidas para investigar e processar o tráfico de pessoas em tempos de crise. Ele também fornece recomendações sobre o apoio às respostas da linha da frente e às vítimas e a construção de resiliência para futuras crises”, garantiu Ghada Waly.

Por outro lado, o chefe da Secção de Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes da ONUDC, Ilias Chatzis, que desenvolveu o estudo, explica que os traficantes “aproveitam-se” das vulnerabilidades e frequentemente atraem a suas vítimas com “falsas promessas” de emprego.

Chatzi acrescentou, igualmente, que a pandemia levou a grandes perdas de empregos em muitos sectores e isto cria oportunidades para que as redes criminosas “se aproveitem de pessoas desesperadas”.

Conforme este perito, o estudo descobriu que as crianças estão sendo cada vez mais alvo dos traficantes que estão a usar as redes sociais e outras plataformas on-line para recrutar novas vítimas e lucrar com o aumento da demanda por materiais de exploração sexual infantil.

“Os especialistas que contribuíram para o nosso estudo relataram a suas preocupações sobre o aumento do tráfico das crianças. As crianças estão sendo traficadas para exploração sexual, casamento forçado, mendicidade forçada e para criminalidade forçada”, declarou Chatzis.

Devido aos bloqueios e limitações nos serviços anti-tráfico, as vítimas tinham ainda menos chances de escapar dos seus traficantes, elucidou, acrescentando que com as fronteiras fechadas, muitas vítimas de tráfico resgatadas foram forçadas a permanecerem meses em abrigos nos países onde haviam sido exploradas, em vez de voltar para casa.

Este responsável admitiu ainda que os serviços essenciais de apoio e protecção, dos quais as vítimas dependem, foram reduzidos ou mesmo suspensos, colocando os sobreviventes do tráfico em risco de serem “re-traumatizados ou mesmo re-traficados”, especialmente aqueles que perderam os seus empregos e ficaram subitamente desempregados e destituídos.

“O crime prospera em tempos de crise e os traficantes se adaptaram rapidamente ao novo normal. Eles responderam ao fechamento de bares, clubes e casas de massagem, onde a exploração pode ocorrer, simplesmente transferindo os seus negócios ilegais para propriedades privadas ou online”, disse.

Em alguns países, policiais de unidades especializado anti-tráfico foram transferidos de suas funções regulares para controlar os esforços nacionais para conter a propagação da covid-19, dando aos traficantes uma oportunidade de operar com menor risco de serem detectados.

Ilias Chatzis salientou que a pandemia ensinou que há necessidade de se desenvolver estratégias sobre como continuar as actividades anti-tráfico humano a nível nacional e internacional, mesmo durante uma crise, pelo que espera que as conclusões deste estudo e suas recomendações contribuam para isso.

O tráfico de seres humanos constitui uma das mais graves violações de direitos humanos, na maioria dos casos transnacional e com ligações ao crime organizado.

Cerca de 72% das vítimas de tráfico humano detectadas são mulheres e meninas e, de acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a percentagem de crianças vítimas deste crime duplicou nos últimos anos.

A maior parte das vítimas é raficada para exploração sexual, seguindo-se o tráfico de pessoas para trabalho forçado, o recrutamento de menores para servirem como crianças-soldados e outras formas de exploração e abuso.

Em Cabo Verde, continua a ser investigado o caso de desaparecimento, desde Fevereiro de 2018, de duas crianças, Clarisse Mendes (Nina) e Sandro Mendes (Filú) que saíram de casa, em Achada Limpa, onde se encontravam na companhia da avó, para irem comprar açúcar na localidade de Água Funda, na Cidade da Praia.


TC/JMV
Inforpress/Fim

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