Covid-19/Cidade Velha: Operadores buscam novas estratégias para atrair turistas nacionais (c/vídeo)

Cidade da Praia, 27 Jun (Inforpress) – Depois de aproximadamente quatro meses fechados, devido à pandemia do novo coronavírus, alguns operadores no concelho de Ribeira Grande de Santiago procuram reabrir os seus espaços, mas a nova estratégia vai no sentido de atrair os turistas nacionais.

Numa ronda feita hoje pela Inforpress ao centro histórico da Cidade Velha e algumas localidades ao redor constata-se que, praticamente, todos os hotéis e serviços de restauração estão ainda fechados.

Dos poucos restaurantes que já reabriram, respeitando as medidas estabelecidas pelo Governo, o cenário ainda é “desolador”, pois estes continuam “às moscas”.

Em conversa com a Inforpress, o proprietário do Restaurante Penedinha, Luciano Semedo, revelou que essa pandemia afectou-os “fortemente” durante todos esses tempos que estiveram fechados, e vai continuar a afectá-los.

Por esta altura, sublinhou, vários são os turistas que procuram Cidade Velha, mas este ano devido à interdição dos voos internacionais a situação só tende a piorar.

“O número de clientes que estávamos à espera nem daqui até 2021 vamos ter. Vamos registar uma redução, por isso é necessário haver uma colaboração de todos para que possamos ultrapassar essa situação”, advogou.

Já no sector da hotelaria, a Inforpress conversou com o proprietário do Hotel Vulcão, Braz de Andrade, que apesar de todo esse cenário de crescimento de casos de infecção pela covid-19 no País e no mundo, mostrou-se esperançoso.

O hotel, que trabalha com 60 funcionários teve de recorrer ao lay-off, mas com a previsão de reabertura dos voos domésticos, a partir do dia 30, já estão a traçar uma nova estratégia para reabrir em início de Julho.

Conforme disse, o turismo que se aplica na ilha de Santiago e, particularmente, na Cidade Velha não é de sol e praia, mas sim as pessoas vão à procura de histórias e caso a situação melhore podem ainda ter oportunidade de arrecadar algumas receitas.

“Neste momento a minha aposta bem forte é à volta daquilo que é turismo nacional, tanto residentes como na Diáspora. Penso em promover um intercâmbio entre as ilhas, criando pacotes para grupos que podem vir das ilhas ou do interior de Santiago, com preço especial”, adiantou.

Uma das coisas que mais atraem os nacionais para o Hotel Vulcão, segundo a mesma fonte, é o ‘buffet’ de domingo com música ao vivo, mas este serviço vai ser readaptado à situação, respeitando sempre o distanciamento social.

Braz de Andrade aproveitou para apelar ao Governo para os isentar de algumas taxas para facilitar a vida aos operadores, que neste momento estão a viver numa “incógnita”.

No mesmo ramo, à Inforpress conversou com a proprietária do Hotel Ribeirinha, Fátima Fortes, que minutos antes da entrevista entregou a carta de despedimento ao último funcionário que conseguiu manter até agora.

A situação do seu estabelecimento, desabafou, está a ficar complicada porque esta crise calhou na altura em que alargaram a oferta de quartos e mesmo antes de concluírem as obras foram surpreendidos com esta crise sanitária.

“Estou a pensar em criar um novo sistema de trabalho, a partir do dia 01 de Julho, apostando no turismo nacional, mas não sei se vai funcionar porque o turismo nacional é fraco. Vou criar pacotes de famílias e aplicar descontos”, anunciou.

Por sua vez, a artesã Maria Évora disse à Inforpress que está sem a sua fonte de rendimento desde Março e que mesmo que os espaços de exposição voltem a abrir não terá um rendimento.

Isto porque, explicou, faz bonecas de panos e o seu púbico alvo são os turistas internacionais que procuram levar uma lembrança da Cidade Velha.

Para o edil de Ribeira Grande de Santiago, Manuel de Pina, com a paralisação do sector turístico a nível mundial os empresários cabo-verdianos devem ser “habilidosos em arranjar soluções atractivas” para impulsionar o turismo interno.

“Enquanto empresários temos que estar permanentemente a inovar, criar soluções, debelar os constrangimentos para garantir a continuidade do sector empresarial”, finalizou.

AM/ZS

Inforpress/Fim

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