Covid-19: Banco Central perspectiva uma “drástica deterioração” da actividade económica

Cidade da Praia, 03 Out (Inforpress) –  O relatório de Estabilidade Financeira (REF) de 2019 do Banco de Cabo Verde (BCV) aponta uma “drástica deterioração” da actividade económica nacional, devido ao contexto externo “desfavorável”, o que implica alguns desafios para o Banco Central.

De acordo com um comunicado de imprensa do BCV sobre a situação do sistema financeiro nacional em 2019 e a tendência de evolução dos riscos para a estabilidade financeira, o banco central perspectiva, no curto e médio prazo, um “agravamento significativo” dos riscos em todos factores relacionados com a estabilidade do sistema financeiro nacional.

Na avaliação da estabilidade do sistema financeiro em 2019, o BCV informou que o contexto externo foi “favorável” à economia nacional em 2019, contribuindo para o aumento da procura turística dirigida ao País, das reservas externas e do investimento directo estrangeiro.

“A economia nacional cresceu 5,7 por cento (%), a inflação média anual reduziu, fixando-se em 1,1%, e as contas externas melhoraram, o que permitiu um nível de reservas externas equivalente a 6,9 meses das importações de bens e serviços”, informou o BCV.

A mesma fonte anunciou ainda que o sector bancário registou um conjunto de desenvolvimentos “extraordinariamente positivos”, em 2019, nomeadamente a actividade bancária, medida pela evolução do activo total, registou um crescimento de 6,9%, do crédito líquido de imparidades, pese embora um crescimento de 5,8%, fixou-se em 41,8 por cento do total do activo.

A economia nacional, segundo as projecções no âmbito do Orçamento Rectificativo para 2020, lembrou o BCV, deverá sofrer uma contracção do produto interno em volume, em 2020, de pelo menos 6,8% e, deste modo, fazer inverter o ciclo de crescimento da economia dos últimos quatro anos, com “nefastas e imprevisíveis consequências para o emprego, a sustentabilidade das finanças públicas e a estabilidade do sistema financeiro”.

Nesta conjuntura de “grande incerteza”, que ainda persiste devido à evolução da pandemia e seus reais efeitos sobre a economia nacional e, particularmente, sobre a estabilidade do sistema financeiro nacional, coloca-se, de acordo com a mesma fonte, “importantes desafios” ao Banco Central, ao Governo e às instituições bancárias, no sentido da continuidade das medidas em curso, bem como da “definição célere” de um conjunto de novas estratégias e políticas financeiras prioritárias, em resposta à crise.

De entre esse conjunto de iniciativas destaca-se a necessidade de continuidade de uma política monetária “acomodatícia e prudencial flexível”, a par de uma “gestão criteriosa” das reservas cambiais e do reforço da capacidade de supervisão, ao nível micro e macro prudencial, por parte do Banco de Cabo Verde, enquanto autoridade monetária, cambial e de supervisão do sistema financeira.

“O imperativo da manutenção de elevados padrões de governação e de gestão criteriosa dos riscos, de elevados níveis de liquidez e de fundos próprios, assim como de transparência na comunicação da sua situação financeira e prudencial e ‘compliance’ com as exigências regulatórias, por parte instituições, especialmente bancárias”, lê-se no comunicado.

Outro desafio é a importância da continuidade das medidas já implementadas, no sentido de apoiar as empresas e as famílias, em estreita coordenação com o BCV, e de reforço da cooperação com os parceiros internacionais, por parte do Governo.

O relatório faz referência ainda às medidas que o Banco Central tem concretizado para mitigar os efeitos da covid-19 na economia nacional, designadamente, concedeu moratórias ou carência no pagamento dos créditos dos seus clientes, recomendou às instituições a não distribuição de dividendos, fixou o nível de solvabilidade mínimo, a vigorar em 2020, em 11% e determinou a sua reposição gradual para 12%, a partir de 2021 e até 2024.

AM/AA
Inforpress/Fim

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