Covid-19: Ateliê Di Body aposta na confecção de máscaras caseiras para driblar “momentos difíceis”

Mindelo, 27 Abril (Inforpress) – O Ateliê Di Body, no Mindelo, está há duas semanas a confeccionar máscaras caseiras para ultrapassar os “tempos difíceis” que a covid-19 têm imposto e já contabiliza cerca de quatro mil peças deste equipamento de protecção.

Di Body, de nome próprio Hélder Rodrigues, adiantou à Inforpress, na manhã de hoje no seu ateliê, na Ribeira Bote (Mindelo), que decidiu começar a produzir estes equipamentos de protecção há duas semanas, tendo uma capacidade de produção de cerca de 300/dia.

“Ainda estamos a trabalhar a meio gás, porque não temos a equipa completa, mas a nossa  intenção é alcançar 700 peças diárias”, explicou a mesma fonte, adiantando estar, neste momento, com uma equipa de cinco pessoas.

O arranque, ajuntou, deu-se com particulares, mas já há empresas como a  Óptica Dlibla, a Enapor (São Vicente e Santiago), a Matec e outras a encomendarem.

“Nas épocas difíceis como estas temos que mostrar o nosso lado criativo, quando não existem oportunidade de uma outra, procuramos encontrá-la de outra maneira”, asseverou Di Body, que apontou uma produção até agora de mais de quatro mil, que espera triplicar.

O costureiro explicou que já tinha confeccionado algumas máscaras antes de toda esse “problema” da covid-19, especialmente para pessoas que trabalham com géneros alimentícios, mas nunca pensou em produzir em larga escala.

“Não gostaria de estar a produzir máscaras, mas sim a fazer as batinas de finalistas, que normalmente fazíamos por esta época. Mas, enfim, é o que podemos fazer agora para dar a nossa contribuição”, sublinhou, afirmando ter feito uma investigação, antes, através da Organização Mundial da Saúde e ainda com contactos com autoridades locais, entre as quais Delegacia de Saúde e Hospital Baptista de Sousa.

Também, segundo a mesma fonte, procurou-se antes os materiais precisos e recomendados para dar o arranque  e agora, garantiu, já está certificado para essa produção.

Entretanto, o costureiro e designer espera que esse problema “passe rápido” e que todos possam retomar as suas vidas normalmente e ele próprio fazer o que sempre fez, desde 1985.

Isto, porque a sua casa está ligada à costura do Carnaval desde sempre e com a mãe e os irmãos tomou “gosto pela coisa”.

A partir de então começou também a confeccionar fardas laborais e escolares, roupas clássicas, batinas de finalistas e “tudo que seja têxtil”.

“Mas, neste momento só nos restam as máscaras, para tentar driblar a situação e não despedir funcionários, temos muita gente a depender de nós”, concretizou Di Body, que espera nas próximas semanas triplicar o número de funcionários.

A presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, assegurou no sábado que com o fim do estado de emergência será necessário reforçar as medidas de distanciamento social e de utilização de máscaras.

Segundo disse, num primeiro momento as máscaras tinham indicações específicas para os profissionais de saúde, casos suspeitos, contaminados e cuidadores dos doentes infectados, e com o aproximar do fim do estado de emergência essa medida será massificada e alargada.

Explicou que as máscaras podem ser reutilizadas, lavadas com água e sabão e passadas a ferro, mas ciente de que em cada lavagem e utilização a capacidade de filtragem irá reduzir.

Maria da Luz Lima lembrou que para a produção existe um procedimento e um conjunto de características a ser seguidas e que essas máscaras, quer de fabrico profissional, quer artesanal devem ser individuais e não partilhadas.

A presidente do INSP assegurou que este equipamento de protecção constitui uma barreira e segurança contra a doença, mas sublinhou que sozinha a mesma não evita a infecção.

Apelou mais uma vez a população para cumprir com as medidas preventivas, “importantes para reduzir a propagação” do vírus.

LN/AA

Inforpress/Fim

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