Covid-19: ANCV vai reorganizar os projectos para ver quais serão retomados este ano – conservador

Cidade da Praia, 09 Jun (Inforpress) – O Arquivo Nacional de Cabo Verde (ANCV) vai reorganizar os projectos idealizados para 2020, uma vez que teve de abrir mão de alguns projectos e recursos para que o Estado pudesse dar resposta a esta situação de pandemia.

A informação foi avançada hoje pelo conservador do arquivo, José Maria Borges, que falava à Inforpress por ocasião da celebração do Dia Mundial do Arquivo, que se assinala hoje.

À semelhança das outras instituições, durante o período de estado de emergência decretado pelo Presidente da República para conter a propagação da covid-19, o Arquivo Nacional esteve de portas fechadas, suspendendo os principais serviços como investigação e a emissão de certidões.

Conforme sublinhou o responsável, todas às instituições do Estado tiveram que colaborar e acompanhar os esforços do País, abrindo mão de alguns projectos e recursos para que o Estado pudesse dar resposta à esta situação nova que o país enfrenta.

“Nesta fase, vamos tentar reorganizar e ver até que ponto podemos dar continuidade aos projectos que tínhamos planificado para 2020, salvaguardando que o projecto de resgate ainda se mantém e aguardamos só a abertura do espaço aéreo para darmos início aos trabalhos”, adiantou.

Um dos “grandes projectos” em carteira era a formação dos técnicos, com abertura do curso técnico do pessoal do arquivo, mas, “infelizmente”, assegurou, será complicado dar continuidade a esse projecto.

José Maria Borges acredita que nos próximos tempos vão conseguir retomar este projecto, visto que é um programa de “extrema importância”.

Conforme referiu, o País precisa de profissionais qualificados nesta área para poder dar resposta aos trabalhos de pré-arquivagem nos municípios e nas ilhas.

Relativamente ao projecto de digitalização, José Maria Borges assegurou que este processo é “lento e moroso”, que levará anos para tratar e digitalizar todo o acervo do ANCV, uma vez que há uma grande quantidade de documentos no espaço.

Neste momento, assegurou que alguns fundos, como o de escravatura e documentos do Governo já foram digitalizados, mas o que falta é começar a disponibilizar esses documentos para consulta do público.

“Estamos a trabalhar neste projecto e temos uma equipa de técnicos da área de informática a fazer isso para que a curto e médio prazo possamos ter essa função disponível (…) e quando toda a estrutura estiver funcional, qualquer cidadão poderá entrar no site do arquivo e ter acesso a documentação”, afiançou.

No ANCV, informou, existem cinco armazéns com dois pisos e só em termos de fundos existem mais de 100 e cada fundo tem uma quantidade enorme de documentos.

Entretanto, cada dia a instituição vem recebendo cada vez mais documentos para preservar e colocar à disposição e à medida que os documentos são transferidos a capacidade do arquivo torna-se insuficiente.

“A curto e médio prazo o país terá que dar resposta a esta situação porque, obviamente, nós continuaremos a receber mais documentos. Há necessidade de se ter um novo arquivo, mas também preparado para dar resposta a era digital” advogou.

Para além deste desafio, apontou que há necessidade de resolver a questão da organização do serviço de pré-arquivo, a regulamentação do diploma relativamente a este serviço, a qualificação dos técnicos para dar resposta a esta situação e recursos, não só da tutela como da Administração do Estado para dar apoio a este projectos.

Com a reabertura dos serviços de pesquisa e investigação, o conservador assegurou que é recomendado o uso de luvas para manusear os documentos e uso de máscaras.

Ainda para cumprir com o plano de contingência deste serviço, vão reduzir o número de pessoas na sala de pesquisa e implementação de regras de higienização.

Para assinalar o Dia Mundial do Arquivo, informou que durante a semana do arquivo, que arrancou esta segunda-feira, sob o lema “Empoderamento da sociedade do conhecimento”, vão divulgar, via plataformas digitais, algumas informações sobre o arquivo e os serviços existentes.

AM/JMV

Inforpress/Fim

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