“Consumo excessivo do açúcar, sal e gordura tem agravado doenças não transmissíveis” – coordenadora de Nutrição

Cidade da Praia, 28 Abr (Inforpress) – A coordenadora Nacional da Nutrição defendeu hoje a escolha consciente de alimentos por parte das famílias e alerta para o consumo excessivo do açúcar, sal e gordura que “tem agravado” as doenças não transmissíveis no País.

Irina Spencer falava à imprensa à margem do ateliê de socialização da proposta de diploma sobre a redução do consumo do sal, açúcar e gordura promovido hoje pelo Ministério da Saúde.

Segundo informou, estudo realizado em Cabo Verde em 2017 e 2020, sendo o mais actual sobre o impacto da covid-19 na segurança alimentar, demonstra que as doenças não transmissíveis têm estado a “aumentar cada vez mais”, em Cabo Verde, mas também, a nível internacional.

“Foi constatado o aumento de sobrepeso e da obesidade entre outras doenças não transmissíveis, como a hipertensão e a diabetes, e também os nossos factores comportamentais, principalmente a alimentação, a nutrição e a actividade física”, concretizou.

Acrescentou ainda que o referido estudo do Ministério da Agricultura mostra que o padrão alimentar de um cabo-verdiano é baseado em óleos, gorduras, cereais e derivados, embora haja “algum consumo” de proteína do leite, mas que a carne, aves, peixes, ovos, leguminosas e as frutas tendo constituído os grupos alimentares menos consumidos no País.

“Então, hoje estamos a trazer esta primeira proposta para apresentação pública, onde vamos recolher subsídios com os nossos diversos parceiros, por forma a educar a nossa população. Tentando explicar mais ou menos o que a lei está a trazer e tentar educar a população a consumir os alimentos saudáveis e reduzir os menos saudáveis”, explicou. 

Esta responsável apontou como exemplo que a OMS recomenda o consumo de no máximo até 5 gramas de sal por dia, quando o cabo-verdiano, prosseguiu, citando o estudo, está a comer praticamente o dobro, ou seja, 9,2 gramas.

Relativamente a frutas e gorduras, recomenda-se pelo menos diariamente o consumo de cinco porções de frutas e legumes por dia, quando em Cabo Verde está-se a consumir três/quatro porções por dia.

Irina Spenser sublinhou que com esta lei pretende-se trazer essas recomendações tanto para a indústria e comércio como para a população e aos comerciantes a nível de estabelecimento de oferta e venda de produtos alimentares, e que a população esteja consciente na hora de escolher os alimentos.

“Estamos a tentar com esta proposta trazer algumas restrições, por exemplo, não disponibilizar saleiros às mesas e ao invés disso trazer ervas aromáticas em substituição do sal”, enumerou, acrescentando que, de igual modo, pretende-se introduzir o “semáforo dos alimentos”, com sinalização no rótulo mostrando os alimentos saudáveis e os menos saudáveis.

Com esta proposta de diploma socializado hoje, o Ministério da Saúde pretende trabalhar na modificação da oferta alimentar de determinados alimentos, em particular aos que apresentam elevado teor de açúcar, sal e gordura, e incentivar acções de reformulação nutricional dos produtos alimentares.

ET/AA

Inforpress/Fim

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