Conservação tem que ser feita na lógica ambiental e social ‘empoderando’ as comunidades – bióloga (c/áudio)

Mindelo, 02 Nov (Inforpress) – A coordenadora do programa de educação e sensibilização ambiental e desenvolvimento comunitário da Associação Biodiversidade da ilha do Sal disse hoje à Inforpress que a conservação tem que ser feita na lógica ambiental e social ‘empoderando’ as comunidades.

Rosineida Lima falava à margem do painel Literacia Oceânica em que discorreu sobre “Educação Ambiental e Desenvolvimento Comunitário – Pontos fortes para uma conservação ambiental sustentável”.

Segundo a bióloga, “a educação ambiental deve estar aliada ao desenvolvimento comunitário, porque conservar o ambiente só faz sentido com as comunidades presentes e não se pode tirar os seres humanos do sistema”.

Para Rosiana Lima, se as comunidades não estiverem desenvolvidas e ‘empoderadas’ e se   as famílias não conseguirem cuidar-se e satisfazer as suas necessidades básicas não terão interesse em preservar ou proteger. Daí defender que a conservação tem que ser vista não só de uma ótica ambiental, mas também na ótica social.

“Já tive muitas experiências nas escolas na ilha do Sal onde faço algumas actividades. As crianças têm outras coisas na mente porque vão para escola com fome e têm algumas dificuldades. É fácil quando se está com barriga cheia e aprender que não se pode usar plástico, que se deve cuidar de tartarugas do ecossistema de dunas, mas as crianças têm outras dificuldades”, explicou, acrescentando que é preciso “dar ferramentas às comunidades para irem buscar o que precisam, mas também para estarem mais conscientes e sensibilizados para promover um ambiente sustentável”.

Com base nessa premissa que, segundo a mesma, a Associação Biodiversidade da ilha do Sal começou a desenvolver projectos de educação ambiental dando valor também ao desenvolvimento comunitário, através de três programas para desenvolver comunidades.

Uma delas, explicou, é a conservação com base comunitária em Pedra de Lume que promove a protecção do meio ambiente nessa zona e arredores além de desenvolver a comunidade.

“Dentro deste programa temos uma actividade que é ‘homestay’ (hospedagem domiciliar) através do qual preparamos três casas de três senhoras para receber voluntários que chegam para desenvolver projectos de conservação de tartarugas ou de desenvolvimento comunitário.  Além de pagar a hospedagem eles compram alguma coisa nas mercearias da comunidade promovendo um ganho tanto económico como na protecção ambiental”, concretizou.

Acrescentou que o outro projecto é o “Guardiões do mar”, que acontece nas três comunidades piscatórias da ilha do Sal, Pedra de Lume, Palmeiras e Santa Maria, e é feito com pescadores. A ideia, avançou, é que enquanto desenvolvem as suas actividades de pesca façam também o reconhecimento da megafauna, do que acontece no mar.

“Conhecem a legislação e tiram as coordenadas dos barcos que fazem delitos e fazem denúncia na Polícia Marítima. Foram-lhe doados coletes salva vidas e noções de primeiros socorros. É uma forma do grupo de pescadores desenvolver-se a nível profissional e de conhecer o ambiente marinho que temos no Sal”, adiantou a responsável.

O terceiro projecto “Empodera”, informou, é realizado pelas peixeiras e foi desenvolvido para empoderar essas mulheres dentro da sua profissão.

“Para melhorar a sua qualidade de vida e das suas famílias receberam formação a nível de manuseamento do peixe, higiene e segurança, receberam arcas e facas e equipamentos que melhoram as suas actividades”, adiantou Rosiana Lima.

Essas mulheres, segundo informou, também foram contempladas com uma formação sobre educação financeira para aprender a redistribuir seus ganhos para que as suas actividades sejam sustentáveis.

CD/CP

Inforpress/Fim

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