Conselheiro da campanha de Trump encontrou-se com agente dos serviços secretos russos

Washington, 04 Abr (Inforpress) – Um conselheiro da campanha presidencial de Donald Trump para política externa encontrou-se com um agente dos serviços secretos russos em 2013 e forneceu-lhe documentos sobre a indústria energética, segundo registos do tribunal, diz a agência Associated Press.

O russo, Victor Podobnyy, foi um dos três homens acusados de integrar uma rede de espionagem. De acordo com documentos judiciais, Podobnyy tentou recrutar Carter Page, um consultor energético que trabalhava em Nova Iorque na altura, como fonte para os serviços secretos. Nos registos do tribunal, Page é referido como “Homem-1”.

Page foi conselheiro de política externa da campanha de Trump, apesar de ter deixado essas funções antes das eleições presidenciais. A Casa Branca garante que o Presidente não tem qualquer relação com ele. Page faz parte do grupo de pessoas associadas a Trump que estão a ser investigadas pelo FBI e comités do Congresso norte-americano, no âmbito das alegadas interferências à eleição de 2016 e possíveis ligações entre a campanha de Trump e a Rússia.

Contactado na segunda-feira pela agência Associated Press (AP), Page disse não estar disponível para comentar, mas confirmou ao BuzzFeed News, que revelou o conteúdo dos documentos judiciais em primeiro lugar, que era o “Homem-1”.

Trump tem negado firmemente que ele ou pessoas associadas a si tenham contactado com a Rússia durante a eleição.

O contacto de Page com Podobnyy surge três anos antes de Trump o escolher como conselheiro para a campanha.

Os registos do tribunal referidos pela AP incluem uma transcrição de uma conversa sobre Page entre Podobnyy e Igor Sporyshev, que também foi acusado no caso da rede de espionagem.

“Por agora o seu entusiasmo funciona para mim. Eu também lhe prometi muito”, diz Podobnyy.

Separadamente, o jornal The Washington Post noticiou na segunda-feira que os Emirados Árabes Unidos organizaram um encontro secreto em Janeiro entre um empresário que apoia Trump e um russo próximo do Presidente Vladimir Putin, como parte de um aparente esforço para estabelecer um canal de comunicação paralelo entre Moscovo e o novo Presidente norte-americano.

Citando responsáveis norte-americanos, europeus e árabes, o jornal indicou que os Emirados concordaram organizar o encontro em parte para explorar a possibilidade de persuadir a Rússia a reduzir a sua relação com o Irão, incluindo na Síria, um objectivo da administração de Trump que poderia obrigar a significativas concessões de Washington a Moscovo no que toca às sanções.

O encontro aconteceu nove dias antes da tomada de posse de Trump e envolveu o empresário Erik Prince, segundo o Washington Post.

Prince, fundador da empresa de segurança Blackwater e agora líder da empresa sedeada em Hong Kong Frontier Services Group, tem ligações ao principal estratega da Casa Branca, Steve Banon, e é irmão da secretária para a Educação Betsy DeVos.

Segundo o jornal, citando responsáveis norte-americanos, o FBI tem estado a investigar o encontro nas Seychelles no âmbito das investigações à interferência russa nas eleições dos Estados Unidos de 2016.

Estes responsáveis dizem que Prince se apresentou como enviado não oficial de Trump.

Em resposta ao artigo, a Casa Branca disse não ter conhecimento de quaisquer encontros e um porta-voz de Prince respondeu que o encontro em questão “não teve nada que ver com o Presidente Trump.

Lusa/fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos