Conferencista defende o resgate das componentes simbólicas, culturais e económicas da nação

Cidade da Praia, 17 Jan (Inforpress) – O conferencista e reitor da Universidade de Santiago, Gabriel Fernandes, defendeu hoje que é fundamental que a nação leve em consideração toda a sua trajetória, resgatando todas as componentes simbólicas, culturais e económicas.

As afirmações foram feitas por este responsável, durante a sua intervenção na conferência intitulada “A Nação cabo-verdiana: entre desafios e inquietações”, promovida pela Presidência da República, no âmbito da décima segunda edição da Semana da República, que decorre de 13 a 20 de Janeiro.

“Em Cabo Verde, são muitos os desafios, e o primeiro é garantir uma espécie de reconciliação da nação consigo própria, sendo que temos um longo processo histórico que garantiu ou possibilitou a emergência da nação e da consciência nacionalista que implicou a intervenção de muitos actores”, referiu.

Para Gabriel Fernandes, é fundamental que a nação se reconcilie com ela mesma para resgatar os contributos de todos esses actores no campo político, cultural, económico e simbólico.

Por outro lado, considerou que outro desafio é garantir que a nação, de certa forma, tente encontrar caminhos para superar as suas vulnerabilidades estruturais.

“Não podemos ficar parados numa espécie de resignação fatalista à espera que as coisas se resolvam, por outro lado eu entendo que se impõe resgatar os vários pilares da constituição da própria nação em que constam a imprensa, a educação e a diasporização”, acrescentou.

Na sua opinião, em Cabo Verde há uma certa tendência a polarização, com tendência para apropriação selectiva dos ganhos da nação, a ostracização daqueles que não se encaixam num certo imaginário ou naquilo que consideram ser o entorno sociopolítico.

“O país de certa forma precisa de se afirmar enquanto tecido sociológico, isso requer que abramos mão daquilo que consideramos ser parte só de nós, porque se não entrarmos num processo de auto celebração em que você se rejubila com aquilo que é seu, vai garantido a exclusão ou a neutralização de outros actores”, apontou Gabriel Fernandes.

Sendo Cabo Verde um país pequeno, arquipelágico, onde seu maior potencial são os recursos humanos, defendeu que não devia haver a neutralização de sujeitos sendo que todos somos pouco para construir a nação.

“Quando você busca excluir, anular e fechar não tem condições de ter uma pauta comum susceptível de mobilizar actores, de garantir lealdade da população dos indivíduos e aquela estabilidade que todas as nações precisam para se restabelecerem e desenvolverem”, disse.

AV/JMV
Inforpress/Fim

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