Conferência dos Oceanos: Planear o mar é planear o território nacional – ministro do Mar

Lisboa, 28 Jun (Inforpress) – O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas e ministro do Mar, Abraão Vicente, defendeu hoje, em Lisboa, que quando um país está a planear o mar, também o território nacional está a ser planificado.

O governante defendeu essa ideia durante “Ocean Action in Support of SDG 14 – The AIS SIDS Perspective”, organizado por Cabo Verde, Maldivas, Seychelles e Singapura, denominados Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS), à margem da segunda Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que decorre de 27 de Junho a 01 de Julho, em Portugal.

“Planear o mar é planear o território nacional. Não é planear apenas águas marítimas fora do nosso alcance. Portanto, Cabo Verde terá de olhar para o mar com outros olhos e de quem sabe que tem riquezas a partir dos recursos marinhos”, frisou em declarações à imprensa cabo-verdiana em Lisboa.

Segundo ele, a ocasião serviu para partilhar a experiência nacional nessa área, ciente de que, como Pequenos Estados Insulares, Cabo Verde não deve ser sempre o primeiro a implementar as medidas mais gravosas.

“Sem os oceanos não há futuro para a humanidade, porque 53 por cento do oxigénio do mundo é produzido pelos oceanos. Ou protegemos os oceanos ou estamos em sérios riscos da extinção da humanidade”, enfatizou, acrescentando que partilhou a experiência de Cabo Verde no que toca à concretização de uma Zona Económica Exclusiva na ilha de São Vicente, o Campus do Mar, a ideia da investigação científica e da partilha do conhecimento do Centro Oceanográfico do Mindelo.

Abraão Vicente contou também que partilhou a preocupação que o País tem em mapear toda a Zona Económica Exclusiva para pode conhecer os recursos que tem, combater a pesca ilegal, evitar que Cabo Verde seja o corredor ou um espaço onde a pesca ilegal, por arrasto, seja praticada em larga escala.

“A preocupação ainda é de desenvolver estratégias globais para arranjar financiamento para o nosso sub-espaço e chamar atenção para especificidades dos pequenos países insulares, hoje chamados Grandes Estados Oceânicos, da necessidade de pensarmos a reserva de pelo menos 30 por cento do nosso território marinho, mas também tendo em conta as especificidades de cada país”, referiu.

A sua protecção total implicará, conforme o ministro, custos para o País, que já detém 25 áreas de reservas naturais, e para as organizações internacionais, entendendo que é preciso aprofundar os mecanismos de gestão territorial e passar a mensagem de que para Cabo Verde, o mais importante é pensar o arquipélago, não Cabo Verde como ilhas, mas toda a extensão do território marinho como território cabo-verdiano.

O “Ocean Action in Support of SDG 14 – The AIS SIDS Perspective” foi justificada com o facto de, “apesar das vulnerabilidades desproporcionais que os SIDS enfrentam, também eles terem liderado pelo exemplo e se tornaram pioneiros em soluções inovadoras, principalmente para proteger e gerir de forma sustentável os activos oceânicos”.

DR/JMV
Inforpress/Fim

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