Conferência dos Oceanos: Ministro diz que participação foi positiva mesmo sem carácter vinculativo da declaração final 

Mindelo, 04 Jul (Inforpress) – O ministro do Mar considerou hoje que a participação de Cabo Verde, a nível do primeiro-ministro, na Conferência dos Oceanos foi positiva, com “assunção da ideia” da economia azul como um dos motores futuros da economia cabo-verdiana.

Em conferência de imprensa, no Mindelo, Abraão Vicente fez, no entanto, uma ressalva, sobre o carácter não vinculativo da Declaração de Lisboa, pois, continuou, não se pode falar de uma participação extraordinária para um Estado oceânico como Cabo Verde, sem o engajamento total dos outros países de que essa declaração seria para colocar em pauta.

Positivo foi também, segundo a mesma fonte, o anúncio, pela directora-geral da Organização Mundial do Comércio, do corte de subsídios por parte da organização que dirige a todas as empresas que praticam pesca ilegal e que tem actividades que podem configurar práticas ilegais e de exploração desmensurada dos recursos do oceano.

“Foi a grande notícia, sem dúvida”, congratulou-se o ministro.

“Em resumo, da parte de Cabo Verde, é positivo ter havido uma cimeira dos oceanos, contudo o foco e a missão da cimeira só estará completo no dia em que a Declaração de Lisboa for ou tiver o mesmo peso que a declaração climática de Paris, relativamente ao clima”, declarou Abraão Vicente.

Isto porque, continuou, falar do clima é falar do estado dos oceanos, e, sabendo que o estado destes influencia o clima, há aqui “um diferencial de tratamento” entre a ideia do clima e a ideia do contributo que os oceanos têm para as alterações climáticas.

“Ou seja, há aqui um compasso que as próprias Nações Unidas terão que corrigir, pois, fazendo uma análise crítica, não é possível falar do clima sem falar dos oceanos”, completou, daí finalizou, a cimeira ter sido incompleta nesse sentido.

Na qualidade de ministro do Mar de Cabo Verde, Abraão Vicente copresidiu um dos oito diálogos interactivos da conferência, em que se referiu à importância de se desenvolver planos e estratégias regionais e nacionais apropriados relativos às economias sustentáveis, baseadas no oceano, ressaltando a necessidade de recursos financeiros e técnicos adicionais e adequados para o desenvolvimento destas economias.

Com mais de 6.500 participantes, entre chefes de Estado, de Governo e delegações dos vários países, a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas decorreu entre o dia 27 de Junho e 01 de Julho, em Lisboa, com o apoio dos governos de Portugal e do Quénia.

A delegação cabo-verdiana efectuou ainda diversos encontros bilaterais e de carácter científico durante os cinco dias da Conferência dos Oceanos.

AA/CP

Inforpress/Fim

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