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Confecções Alves Monteiro diz-se “fortemente prejudicada” com concorrência desleal das lojas chinesas

Cidade da Praia, 27 Ago (Inforpress) – A administradora da Confecções Alves Monteiro (CAM) disse hoje que a empresa tem sido “fortemente prejudicada” com a concorrência desleal dos chineses a quem acusa de estar a vender uniformes escolares com etiqueta falsificada da sua empresa.

Em conversa com a Inforpress, Jael Alves Monteiro afirma que desde 2016 a CAM vem dando conta que as lojas chinesas, em todo o país, estão a vender uniformes escolares com a marca da Confecções fazendo as pessoas crerem que se trata de produtos produzidos pela empresa nacional.

Aquela dirigente empresarial afirma que todos os anos a empresa faz investimentos avultados na aquisição de matéria-prima para a campanha escolar, que arranca já no mês de Junho com a disponibilização de uniformes e batas escolares para os finalistas dos jardins e das escolas primárias.

Entretanto, adianta que a empresa tem registado prejuízos de milhares de contos devido à concorrência desleal dos chineses que colocam no mercado produtos com a marca da CAM.

“A concorrência dos chineses é uma concorrência desleal e que nos tem criado muitos problemas e muitos constrangimentos”, disse.

Conforme explicou, tem havido casos de escolas que decidem mudar de uniforme de um ano para o outro e fecham contratos com grupos chineses, sem avisar a CAM da mudança dos uniformes.

Um direito que as mesmas têm, mas que, na perspectiva de Jael Alves Monteiro devia levar em consideração a empresa, já que, conforme indicou, há muitos anos vem fornecendo uniformes escolares para todas as escolas do país.

“Como dedicamos à produção de uniformes, todos os anos preparamos o estoque para as escolas baseando nos uniformes dos anos anteriores e nas vésperas do início das aulas ficamos a saber que as escolas já mudaram de uniforme. Só para exemplificar no ano de 2016 tivemos uma perda de 10 mil contos de produtos acabados entre uniformes para sala de aulas e para educação física”, precisou.

Entretanto, afirmou que os casos mais graves são os relacionados com aquelas lojas que não tendo o contrato com as escolas e na saga de querer vender, socorrem-se da marca da empresa nacional para enganar as pessoas.

“Demos conta que houve plágio da nossa marca, falsificaram a nossa etiqueta, produziram os uniformes e trouxeram para Cabo Verde. O grande problema é que a lei da contrafacção em Cabo Verde não vigora nas alfândegas. Ela só vigora quando o empresário X fizer uma queixa na Inspecção-geral de Actividades Económicas (IGAE)”, explicou.

Caso essa lei vigorasse nas Alfândegas, quando os chineses chegassem a Cabo Verde com uma etiqueta que sabem que está registada em nome de uma empresa nacional, os produtos podiam ser confiscados antes de entrar no mercado.

Por isso mesmo disse que a empresa de confecções de uniformes escolares em Cabo Verde está de “mãos atadas”, apesar de a situação ser do conhecimento das autoridades.

“Temos duas denúncias, duas queixas-crime feitas junta da IGAE, mas nunca houve evolução da situação. Se a lei de contrafacção vigorasse desde as Alfândegas evitaríamos situações como a que temos actualmente”, disse.

Jael Alves Monteiro frisa que a marca “CAM” é uma marca que já está na mente dos cabo-verdianos e que as pessoas compram pela marca, pelo que adianta que sequer tem a noção da abrangência que esse plágio teve.

“O certo é que tem repercutido nas nossas vendas. No ano passado, por exemplo, tivemos uma perda de sete mil contos”, disse, garantindo que a CAM não fornece uniformes para nenhuma loja chinesa.

“Os produtos da CAM apenas são comercializados nas lojas próprias da empresa ou nos revendedores, todos nacionais”, disse.

Essa situação da concorrência desleal dos chineses foi apresentada hoje ao vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, numa visita que o governante efectuou hoje à fábrica, tendo o mesmo prometido averiguar a situação, conforme disse a administradora da empresa.

MJB/ZS

Inforpress/fim

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