Comunidade Terapêutica da Granja quer novo modelo que integre todas as substâncias psicoativas

 

Cidade da Praia, 25 Jun (Inforpress) – O presidente da Comunidade Terapêutica da Granja de São Filipe (CTGSF), Paulo Graça, anunciou hoje que a instituição encontra-se a trabalhar num novo modelo capaz de facilitar a integração de todas as substâncias psicoativas, incluindo o álcool.

Paulo Graça manifestou esta intenção, à Inforpress, no âmbito do primeiro encontro nacional de reflexão com ex-residentes da Comunidade Terapêutica da Granja de São Filipe, em que se faz o balanço dos 11 anos de funcionamento e se perspectiva o futuro da instituição.

O encontro é realizado pela Comissão de Coordenação do Álcool e outras Drogas, enquadrado nas comemorações do Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas.

“Estamos a pensar, depois de 10 anos de funcionamento, num novo modelo que facilita a integração de todas as substâncias psicoativas, incluindo o álcool”, disse, afirmando que no momento estão no processo de recolher informações e subsídios para desenhar um programa, “mais adequado possível” que alberga, também, o público-alvo de pessoas com problemas alcoólicos.

A Granja de São Filipe, na Cidade da Praia, não acolhe, ainda, pessoas com problemas ligados ao álcool, porém, segundo o presidente da CTGSF, estas estão incluídas num contexto de poli-consumo, ou seja, pessoas que são usuários de álcool e outras drogas.

Mas, conforme avançou, a CTGSF tem um projecto em mãos que vai abranger esta questão “por si só”.

“É necessário fazer esta análise para recolher subsídios e ver qual é a melhor forma de introduzir esta nova vertente, que seria as drogas ilícitas e a questão do álcool, que pensamos que é muito importante”, sublinhou, acrescentado que a sociedade cabo-verdiana “sofre muito” com o problema do alcoolismo, ao qual a CTGSF pretende dar uma resposta.

Um outro motivo da reunião, segundo Paulo Graça, é o processo de inclusão social e o seguimento dos toxicodependentes após deixarem o local do tratamento, e que se encontram no processo de inserção na sociedade.

Ver se há algum estigma ou não, facilidade ou complicação de enquadrar no mercado de trabalho, são questões, que, segundo a mesma fonte, constituem debates da Granja referente ao dia-a-dia e ao funcionamento local, que vai ao encontro da missão da casa, que é tratar e reinserir os toxicodependentes na convivência social.

As pessoas que entram no Granja permanecem num programa de tratamento de nove meses, mas, segundo esclareceu, caso aconteça algum tipo de recaída regressam à comunidade dentro de um outro plano de pós terapia, com um tempo de três meses.

Por outro lado, o presidente da CTGSF adiantou à Inforpress que se perspectiva futuramente inserir programas de prevenção junto às escolas, comunidade e famílias, para não chegar na dependência.

E, caso houver algum consumo, precisou, tentar sempre ter o objectivo da redução do uso a um “nível tolerável”.

No encontro serão apresentados dois trabalhos realizados na CTGSF, uma pesquisa do enfermeiro Mário Barros, intitulado “As características sóciodemográficas clínicas e padrão de uso de substâncias psicoativas: Resposta ao programa de tratamento dos residentes da CTGSF” e a “Comunidade Terapêutica Granja de São Filipe: olhar dos ex-residentes sobre a toxicodependência”, do licenciado em Ciências Sociais, Celestino Lobo.

AF/AA

Inforpress/Fim

 

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